Eis então a missão de quem sofre de TAG. Parar de pensar. Como disse no post anterior, demorou para eu descobrir que o pensamento era o meu veneno... demorou para eu assimilar que eu teria que parar de fazer o que eu mais fazia nessa vida para melhorar... demorou ainda mais para eu, enfim, colocar em prática a árdua tarefa de não pensar! A questão a se discutir - a partir dessa constatação - passa a ser: como fazer isso??? Como controlar o incontrolável? Deixar de fazer aquilo que, de tão automático, se torna algo imperceptível? É possível??? Nunca pensei que seria capaz de responder isso, mas - sim - é possível!
Bem sinceramente é difícil tentar explicar como conseguir essa proeza. Primeiro porque ainda estou em fase de "aprendizado". Segundo porque acredito que não haja uma fórmula única, cada um precisa buscar seu caminho... No meu caso, quando enfim me dei conta de que precisava parar de pensar por uma questão de sobrevivência, a primeira coisa que fiz foi começar a praticar ioga. Meu pai dá aulas de ioga, mas eu nunca tinha feito... Foi por saber da tal paz de espírito proposta por essa prática (e comprovadamente conquistada por muitos) que tentei buscar, nela, o tal "esvaziamento da mente". Foi bom... aprendi a respirar direito, a diminuir o ritmo... mas passei longe, muuuito longe de conseguir atingir o estágio "zen", o tal "pranaiama" dos iogues, que é conseguir meditar com a mente livre de pensamentos. Ok, confesso que não insisti muito no ioga... talvez se tivesse praticado por mais tempo tivesse outros resultados... ou não! O fato é que percebi que esse não era o caminho, não para mim.
Bem sinceramente é difícil tentar explicar como conseguir essa proeza. Primeiro porque ainda estou em fase de "aprendizado". Segundo porque acredito que não haja uma fórmula única, cada um precisa buscar seu caminho... No meu caso, quando enfim me dei conta de que precisava parar de pensar por uma questão de sobrevivência, a primeira coisa que fiz foi começar a praticar ioga. Meu pai dá aulas de ioga, mas eu nunca tinha feito... Foi por saber da tal paz de espírito proposta por essa prática (e comprovadamente conquistada por muitos) que tentei buscar, nela, o tal "esvaziamento da mente". Foi bom... aprendi a respirar direito, a diminuir o ritmo... mas passei longe, muuuito longe de conseguir atingir o estágio "zen", o tal "pranaiama" dos iogues, que é conseguir meditar com a mente livre de pensamentos. Ok, confesso que não insisti muito no ioga... talvez se tivesse praticado por mais tempo tivesse outros resultados... ou não! O fato é que percebi que esse não era o caminho, não para mim.
Inclusive, acho que isso é muito importante, pelo menos a princípio: saber o que NÃO funciona pra você, que pode até funcionar para os outros, mas não pra você. Assim você vai eliminando possibilidades e pode seguir em frente. Meu próximo passo foi começar a escrever uma espécie de "diário". Imaginei que escrevendo eu poderia transferir os pensamentos para o papel e tirá-los de dentro de mim. Pareceu um método eficaz no começo... tipo nos primeiros cinco minutos rsrsrs, ou seja, também não foi funcionou. É muito pensamento, nem que derrubassem todas as árvores do mundo pra produzir papel haveria papel suficiente para transferir tudo da cachola pro caderno. Difícil... O pior é que, nessas tentativas, o tempo ía passando... e o transtorno de ansiedade continuando presente, a ponto de parecer que iria me matar. Sem exageros.
Bom, nessa minha busca, também tentei ler romances, histórias de ficção... literatura daquele tipo que me ajudasse a sair da realidade, "viajar" para um outro mundo, um mundo que não existisse... muito legal porque eu adoro ler (assim como adoro escrever), mas isso não levou embora meus milhares de pensamentos. Tive, ainda, a fase de mergulhar no trabalho, me entupir de compromisso de forma que não sobrasse tempo para pensar em outra coisa... sem chance de dar certo, para um ansioso sempre há tempo pra pensamentos fóbicos, compulsivos, desesperados. Aliás, se sobrecarregar de trabalho é o que eu menos indico. Algo que funcionava por um tempinho maior era colocar os DVDs do seriado americano "Friends", tenho o box com as dez temporadas e já assisti todas, mas para parar de pensar eu colocava um DVD com seis episódios e livrava minha mente durante uma duas a três horas... mas é claro que era só apertar o stop para voltar tudo como no início.
Era um sábado a noite quando eu estava em casa com o coração na boca de tanta ansiedade. Garganta "fechada" no melhor estilo em que a angústia costuma se manifestar. Meu marido procurava um filme para assistirmos na TV a cabo, afinal, esse tinha passado a ser nosso único programa de fim de semana, cheguei num nível em que não queria sair de casa. Enquanto ele ía mudando de canal, eu com o IPad na mão comecei a digitar no Google as palavras "ansiedade"... "pânico"... "fobia". Queria encontrar blogs de gente que sentisse o mesmo que eu. Achei muitos de pânico (que sei que não é meu caso), mas de transtorno de ansiedade generalizada não achei nada de pacientes com o problema... pelo menos nada de útil. Decidi então entrar no blog de um psicólogo, o Artur Scarpato, que já citei aqui. Foi lá que, enfim, encontrei algo que foi o primeiro passo pra eu tentar aprender a "parar de pensar".
Estava na segunda postagem do blog psicoterapia.psc.br, o trecho principal dizia o seguinte: "Precisamos de práticas diárias, o método que realmente funciona para mudanças desta natureza, técnicas praticadas com constância. Precisamos criar presença, trabalhando a mudança do eu centrado no pensamento (eu que pensa) para o eu centrado na experiência (eu que observa)".
O curioso é que já tinha ouvido isso no ioga, essa questão de estar presente mas sem pensar, apenas como observador... a diferença é que, escrito no contexto do blog, me fez analisar de outra forma. Principalmente por causa de outros trechos, de outras postagens, como essa a seguir:
"Caso a pessoa conseguisse mergulhar em seu momento presente, a ansiedade tenderia a diminuir dramaticamente, ou mesmo se dissolver. Um primeiro modo de se fazer presente é se observar, se perceber, mesmo estando mentalmente preocupado com o futuro. Então, feche os olhos e observe seus pensamentos. Dedique alguns minutos a isto. Desenvolver o “eu que observa”. Apenas observe e comece a aprender sobre você e seu funcionamento mental. Comece a perceber como há automatismos de pensamento que dominam sua mente e levam você a se sentir cada mais ansioso. Durante o exercício não tenha pressa e não espere nenhum resultado imediato. A pressa é um sinal de quem está voltado mentalmente para o futuro e seu objetivo agora é enraizar sua presença no agora, numa atitude de espectador e de não identificação com os pensamentos. Não se preocupe de tentar parar ou mudar os pensamentos, mas reconhecer estes automatismos que eternizam sua ansiedade. A meta agora é de reconhecimento/aceitação e não de controle. Você vai começar a perceber que o perigo não está no aqui e agora, mas é cultivado através destes pensamentos negativos e catastróficos. Quando você sai da identificação com o “eu que pensa” e passa a centrar sua consciência no “eu que observa””, você começa a enfraquecer estes padrões automáticos de pensamento, retira parte de sua energia e começa a criar uma nova experiência interna. Este é um primeiro passo".
Foi assim que comecei a mudar meus pensamentos. Descobri que mais do que "parar de pensar", eu tinha sim é que mudar a FORMA de pensar, pensando só no hoje, no presente e, mais do que isso, me "sentir" presente... perceber meu corpo e minha mente AGORA e nada mais. Passei a fechar os olhos e perceber: "sim, estou com a garganta fechada de angústia, mas estou no conforto da minha casa, com o meu cobertor e só isso que importa agora". Parei de pensar em tudo que não fosse esse exato segundo. Parei de fazer planos. Foi triste porque sempre gostei de planejar, me transportar para aquele futuro que estava imaginando... mas isso não podia mais fazer parte dos meus pensamentos porque isso é uma forma de querer controlar o que está por vir.
Então, naquela noite de sábado, pedi que meu marido assistisse ao filme sozinho... e mergulhei de cabeça naquele blog! Comecei a fazer os exercícios de "eu observador" proposto por ele. Foi o começo do caminho que ainda estou percorrendo para deixar a mente focada apenas no hoje. No agora. Nesse exato momento e nada mais. Para assim tentar manter meus pensamentos e minha ansiedade em níveis que me permitam continuar vivendo.
Desculpem pelo post gigante, mas é que essa busca pela arte de administrar os próprios pensamentos é essencial para quem sofre com a TAG. É essencial para mim!
Um abraço e até breve!