Sou geminiana, o signo dos pensadores... dos intelectuais... dos idealistas! Os geminianos pensam demais! O tempo todo! Sem parar! E eu sou uma geminiana nata! Sempre achei o máximo viver cheia de idéias... formular pensamentos, hipóteses, analisar tudo que me viesse a mente... e sonhar! Planejar! Pensar, pensar e pensar! Isso até eu descobrir que esse é um dos "venenos" do transtorno de ansiedade generalizada.
Foi difícil para que eu enxergasse isso... até porque que mal poderia haver em pensar???? Onde está o perigo disso??? Depois de muito, MUITO tempo eu entendi o seguinte: o problema não é simplesmente pensar. A questão é que, quando se pensa MUITO, os pensamentos que surgem são dos mais variados. Bons, ruins, lindos, horríveis, reais, absurdos, possíveis- improváveis, otimistas, catastróficos... e essa enxurrada de idéias pode ser absorvida de muitas formas pela nossa mente. Se a pessoa já tem uma característica de ser ansiosa... se tem um traço de depressão (seja genético, seja provocado por algum acontecimento)... se tem a emoção a flor da pele... acaba deixando que, entre tantos pensamentos, os ruins prevaleçam.
Parece ridículo, não é? Eu acho! Nunca me considerei pessimista, mas depois que li a respeito dos pensamentos relacionados ao TAG, passei a prestar atenção naquilo que povoava minha mente. Foi aí que me dei conta de que - sim - eu pensava muita besteira. Quando eu digo "besteira" quero dizer exatamente isso que essa palavra significa: algo ridículo, sem importância. Exemplo: percebi que, no trânsito, ao ultrapassar um carro, eu logo pensava - "nossa, imagina se está vindo uma moto e eu não vejo?". Ou "já pensou se o caminhão que vem atrás também resolve ultrapassar, bate no meu carro e eu sou jogada barranco abaixo?". Tipo, ridículo pensar isso. Desnecessário. Mas é o tipo de pensamento que percebi que era recorrente no meu dia a dia e eu nunca tinha percebido por considerar isso tudo uma besteira.
Mais uma vez vou citar, aqui, um trecho do blog do psicólogo Artur Scarpato, que me ajudou a enxergar esses pensamentos ansiosos e a descobrir que eles existem. "A pessoa ansiosa vive tomada de preocupações, expectativas sobre algum perigo que ronda, algo que possa dar errado, que ela possa passar mal… Sua mente é produtora de pensamentos e imagens em série que antecipam perigos e criam cenários catastróficos. A pessoa vive voltada para o futuro, interpretando os dados atuais como indicadores potenciais de que algo possa dar errado, sair do controle, iniciar algum processo caótico. Em sua mente começa a se projetar um filme com cenários catastróficos. Longe do momento presente e atenta a este filminho, a pessoa “sofre por antecipação”. Ela ainda não entrou no avião mas já sofre com a idéia de que pode passar mal lá dentro e não tenha como sair. Estando ainda em casa a pessoa sofre ao se imaginar passando mal na frente dos colegas na reunião do escritório. Temendo ter uma crise de pânico a pessoa evita sair e expor-se. A projeção de cenários de perigo leva a um sofrimento antecipado e a comportamentos de evitação. (...) É comum que a pessoa exagere muito nesta expectativa imaginando que o resultado pode ser muito pior do que foi na última vez. É importante se diferenciar deste cineasta do terror que cria tantos filmes mentais com enredos e cenários assustadores, deixando o sujeito em estado de sobressalto e ansiedade freqüentes".
Bom, diagnosticado esse comportamento ridículo mas que - fazer o que? - existe em mim e em quem sofre com os transtornos de ansiedade, o que fazer? Bloquear os pensamentos??? Como??? Simplesmente não pensar mais??? De que forma??? É possível isso? Sim, é possível, apesar de ser um desafio do tamanho do mundo para a geminiana aqui... No próximo post vou escrever um pouco sobre como tento administrar essa mente louca que habita meu ser!!!
Um abraço.
Relatos de um transtorno de ansiedade generalizada. Blog criado para dividir as experiências, informações e desabafos de alguém que tenta aprender a conviver com o TAG.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
Os ansiosos e o resto do mundo
Mais difícil do que entender o transtorno de ansiedade generalizada é tentar explicar esse problema a quem nunca sofreu com ele. É muito difícil. Eu diria que é impossível!
Quando tive os primeiros sintomas, como já contei aqui, as tonturas fizeram com que o diagnostico inicial fosse de labirintite. Ou seja, para os próprios médicos já é difícil explicar... imagine para o restante das pessoas! Quando você diz que não está bem, vem a fatídica pergunta: "mas o que você está sentindo"? A vontade é responder: "sentindo tudo e nada". O mal-estar é total, mas ao mesmo tempo a sensação é de estar "no vácuo", no "nada" mesmo.
Para mim, o pior foi antes do diagnóstico por EU não saber o que tinha. Já na hora de explicar PARA OS OUTROS essa fase era mais simples, era só falar: tenho tonturas horríveis. Pronto. Depois que descobri que as tonturas, as dores de cabeça, o coração acelerado eram um transtorno de ansiedade, a situação se inverteu. Ficou mais fácil para EU entender do que se tratava... mas por outro lado ficou mais difícil de explicar PARA OS OUTROS. Podia ser simples, mas todas as vezes que eu falava "eu tenho um transtorno de ansiedade", as pessoas diziam "ah, eu também sou muito ansiosa". Ou seja, ninguém entendia que há um abismo entre simplesmente ser ansioso e ter um transtorno de ansiedade.
Ainda assim, insisti durante um tempo nessa resposta, em dizer para quem me perguntava que meu problema era transtorno de ansiedade. Só que aí percebi que as pessoas achavam que isso era "frescura", não entendiam isso como uma doença. Por isso passei a responder que meu problema era psiquiátrico. Quem sabe assim ficava mais claro??? Ledo engano. Mal sabia eu que o preconceito com quem tem problema psiquiátrico é gigantesco, me olhavam como se eu fosse louca mesmo, como se eu tivesse "endoidado", como se eu estivesse com um parafuso a menos. Nunca esqueço de ouvir de uma colega de trabalho, durante minha segunda crise, a seguinte frase: "o que aconteceu, está de novo com as suas loucurinhas?". Eu sabia que não era nada disso... e continuava sem conseguir explicar o que eu sentia. Era como se estivesse sozinha no mundo, sem ninguém que compreendesse meu sofrimento. É a pior solidão que pode se pode ter.
A incompreensão ficou muito clara logo depois do diagnóstico... mas como em seguida consegui controlar os sintomas com medicamento e terapia, não durou muito o sofrimento de tentar explicar (em vão) o problema. A segunda crise foi pior nesse sentido porque eu já sabia o que era e sabia que não era "labirintite". Por isso comecei a buscar, à exaustão, uma forma de explicar o problema. Foi aí que comecei a ler sites, blogs e tudo mais que eu encontrava... ou melhor, não encontrava! Foi só depois de muita pesquisa que encontrei uma boa definição, que já dividi com vcs no meu primeiro post: a de que não há definição! Para quem nunca teve transtorno de ansiedade, é impossível explicar. "É como explicar uma dor de dente para quem nunca teve dor de dente", dizia o blog que já citei. Com a diferença de que, para resolver a dor de dente, vc trata, obtura, faz canal... e na última das possibilidades vc arranca o dente e põe uma prótese no lugar. Para transtorno de ansiedade não há cirurgia que resolva e isso é o que acaba com a pessoa na hora de tentar explicar o que sente... como trata... porque não se "cura" de uma vez.
O pior é que essa dificuldade em explicar o problema para as pessoas não acontece com todos os transtornos de ansiedade.... porque com a síndrome do pânico (um problema muitíssimo mais grave que o TAG) é mais simples se fazer entender porque são mais "concretos" os sintomas e aquilo que provoca esses sintomas... com o estresse pós-traumático tb é fácil fazer com que os outros entendam que foi uma situação específica que causou tudo... a fobia simples (medo de avião, de barata, de altura, de lugar fechado) também não exige muito das pessoas em compreender. Agora sobre o TAG... o que dizer???
Moral da história: se vc tem transtorno de ansiedade generalizado não se desgaste tentando explicar. É um desgaste desnecessário, não vai levar a nada. Eu, até hoje, só fiz questão de passar por esse desgaste para falar com o meu marido a respeito, afinal, é com quem eu mais convivo e quem mais vê de perto meu sofrimento. Não foi fácil, na verdade foi extremamente sofrível tanto pra mim quanto para ele... demorou, foi só durante a segunda crise que consegui me fazer entender razoavelmente para ele, mas eu precisava disso. De resto, só abro o coração mesmo com minha psicóloga e com quem eu sei que já teve esse problema. Infelizmente "o mundo" não está preparado para entender o transtorno de ansiedade generalizada.
Quando tive os primeiros sintomas, como já contei aqui, as tonturas fizeram com que o diagnostico inicial fosse de labirintite. Ou seja, para os próprios médicos já é difícil explicar... imagine para o restante das pessoas! Quando você diz que não está bem, vem a fatídica pergunta: "mas o que você está sentindo"? A vontade é responder: "sentindo tudo e nada". O mal-estar é total, mas ao mesmo tempo a sensação é de estar "no vácuo", no "nada" mesmo.
Para mim, o pior foi antes do diagnóstico por EU não saber o que tinha. Já na hora de explicar PARA OS OUTROS essa fase era mais simples, era só falar: tenho tonturas horríveis. Pronto. Depois que descobri que as tonturas, as dores de cabeça, o coração acelerado eram um transtorno de ansiedade, a situação se inverteu. Ficou mais fácil para EU entender do que se tratava... mas por outro lado ficou mais difícil de explicar PARA OS OUTROS. Podia ser simples, mas todas as vezes que eu falava "eu tenho um transtorno de ansiedade", as pessoas diziam "ah, eu também sou muito ansiosa". Ou seja, ninguém entendia que há um abismo entre simplesmente ser ansioso e ter um transtorno de ansiedade.
Ainda assim, insisti durante um tempo nessa resposta, em dizer para quem me perguntava que meu problema era transtorno de ansiedade. Só que aí percebi que as pessoas achavam que isso era "frescura", não entendiam isso como uma doença. Por isso passei a responder que meu problema era psiquiátrico. Quem sabe assim ficava mais claro??? Ledo engano. Mal sabia eu que o preconceito com quem tem problema psiquiátrico é gigantesco, me olhavam como se eu fosse louca mesmo, como se eu tivesse "endoidado", como se eu estivesse com um parafuso a menos. Nunca esqueço de ouvir de uma colega de trabalho, durante minha segunda crise, a seguinte frase: "o que aconteceu, está de novo com as suas loucurinhas?". Eu sabia que não era nada disso... e continuava sem conseguir explicar o que eu sentia. Era como se estivesse sozinha no mundo, sem ninguém que compreendesse meu sofrimento. É a pior solidão que pode se pode ter.
A incompreensão ficou muito clara logo depois do diagnóstico... mas como em seguida consegui controlar os sintomas com medicamento e terapia, não durou muito o sofrimento de tentar explicar (em vão) o problema. A segunda crise foi pior nesse sentido porque eu já sabia o que era e sabia que não era "labirintite". Por isso comecei a buscar, à exaustão, uma forma de explicar o problema. Foi aí que comecei a ler sites, blogs e tudo mais que eu encontrava... ou melhor, não encontrava! Foi só depois de muita pesquisa que encontrei uma boa definição, que já dividi com vcs no meu primeiro post: a de que não há definição! Para quem nunca teve transtorno de ansiedade, é impossível explicar. "É como explicar uma dor de dente para quem nunca teve dor de dente", dizia o blog que já citei. Com a diferença de que, para resolver a dor de dente, vc trata, obtura, faz canal... e na última das possibilidades vc arranca o dente e põe uma prótese no lugar. Para transtorno de ansiedade não há cirurgia que resolva e isso é o que acaba com a pessoa na hora de tentar explicar o que sente... como trata... porque não se "cura" de uma vez.
O pior é que essa dificuldade em explicar o problema para as pessoas não acontece com todos os transtornos de ansiedade.... porque com a síndrome do pânico (um problema muitíssimo mais grave que o TAG) é mais simples se fazer entender porque são mais "concretos" os sintomas e aquilo que provoca esses sintomas... com o estresse pós-traumático tb é fácil fazer com que os outros entendam que foi uma situação específica que causou tudo... a fobia simples (medo de avião, de barata, de altura, de lugar fechado) também não exige muito das pessoas em compreender. Agora sobre o TAG... o que dizer???
Moral da história: se vc tem transtorno de ansiedade generalizado não se desgaste tentando explicar. É um desgaste desnecessário, não vai levar a nada. Eu, até hoje, só fiz questão de passar por esse desgaste para falar com o meu marido a respeito, afinal, é com quem eu mais convivo e quem mais vê de perto meu sofrimento. Não foi fácil, na verdade foi extremamente sofrível tanto pra mim quanto para ele... demorou, foi só durante a segunda crise que consegui me fazer entender razoavelmente para ele, mas eu precisava disso. De resto, só abro o coração mesmo com minha psicóloga e com quem eu sei que já teve esse problema. Infelizmente "o mundo" não está preparado para entender o transtorno de ansiedade generalizada.
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