Estou há um bom tempo sem aparecer, mas isso não significa que está tudo bem... sumi pelo simples fato de que já nem sei mais o que relatar à respeito do meu transtorno de ansiedade. Continuo vivendo (ou sobrevivendo) com o TAG, apesar de nos últimos tempos ele ter se manifestado apenas em uma situação bem específica. Isso até hoje. Depois de muito tempo, nesta manhã já acordei em crise. Aos trancos e barrancos chego ao fim do dia com uma conclusão desesperadora.
Com o transtorno de ansiedade generalizada, é assim: a pessoa precisa evitar pensar muito. Se ficar pensando, hipotetizando, relembrando, idealizando, a crise vai ao auge. O ideal é arranjar o que fazer, não ficar parado para não ter chance de pensar. Eis aí o problema: o TAG normalmente se manifesta em pessoas que tem certa tendência a depressão... e durante as crises, essa deprê bate forte. Aí fica difícil, muito difícil, se animar para fazer qualquer coisa que seja... e quem fica parado, começa a pensar... e quem pensa, aumenta a proporção da crise.
É como um labirinto infinito, sem saída... se vc anda para um lado, tromba com uma parede... se anda para o outro, tromba com mais uma parede... e assim vai batendo cabeça nesse sofrimento sem fim... difícil demais! Hoje estou bem no meio desse labirinto, pra lá e pra cá. Tentando desesperadamente sair, sem ter por onde. Viro pra um lado, viro para o outro e só dou trombadas... e como é dura a parede desse labirinto!
:(
Relatos de um transtorno de ansiedade generalizada. Blog criado para dividir as experiências, informações e desabafos de alguém que tenta aprender a conviver com o TAG.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
O pior dia da minha vida
Relendo meus primeiros posts lembrei que fiquei devendo um texto sobre o dia em que tive a pior crise da minha vida. Foi uma única vez mas - sim - eu tive uma crise com sintomas de síndrome do pânico, o que é infinitamente pior do que qualquer outro transtorno de ansiedade.
Foi em maio deste ano, quando eu enfrentava todo aquele processo do tratamento para engravidar, estava sem tomar sertralina por causa disso e estava péssima! Nunca vou esquecer, era uma quarta-feira. Fui trabalhar já me sentindo muito mal, com todos os sintomas da TAG a milhão. Na hora do almoço pedi pra minha chefe me dispensar, vim pra casa e desabei na cama. Dormi e acordei com o despertador que eu havia programado para tocar às quatro da tarde, já que às cinco eu tinha terapia marcada com a minha psicóloga. Quando levantei da cama, a pior sensação do mundo: pânico.
Até então eu não sabia o que era isso. Havia lido bastante a respeito mas a sensação é algo absurdamente pior do que eu era capaz de compreender. Quando fui me levantar da cama, já senti um desespero, um medo inexplicável de colocar os pés no chão, fiquei um tempo sentada na cama, coração a mil, tudo rodando.... Andei devagarinho até o banheiro, cada passo era uma tortura. Cheguei na frente do espelho, lavei as mãos para colocar minhas lentes de contato e simplesmente não consegui abaixar a cabeça para levar meus olhos de encontro com as minhas mãos. Voltei à posição com a cabeça levantada e tentei de novo. Não consegui. Um medo desesperado e inexplicável de baixar a cabeça. Desisti, voltei correndo pra cama, onde agarrei o travesseiro, cobri a cabeça, nem abrir os olhos eu conseguia. Fiquei assim alguns minutos, tentando respirar, tentando me acalmar. Não conseguia.
Cogitei ligar para minha psicóloga falando que eu não iria na terapia, eu não conseguia nem sair da cama, como conseguiria dirigir até o consultório? Depois pensei que, no estado que eu estava, não podia perder a chance de uma sessão com a minha psicóloga.... Pensei então em ligar para minha mãe, para ela vir me buscar e me levar até a terapia. Descartei logo em seguida essa possibilidade primeiro porque faltava apenas meia-hora pra minha sessão, não era tempo suficiente para minha mãe sair de onde ela estava, chegar na minha casa e me levar ao consultório. Fora que não sei como explicaria para minha mãe que eu não conseguia nem sair da cama. Resolvi, então, tentar encarar.
Levantei de novo, fui de novo até o banheiro, em vez de baixar a cabeça trouxe meu dedo com a lente até os olhos, tudo isso tremendo, achando que eu ia morrer... desci as escadas do meu quarto até a sala mentalizando que eu era capaz de sair de casa, entrar no carro e dirigir. Eu estava andando curvada, corpo arqueado, não conseguia sequer olhar pra frente, nossa, que sensação horrorosa, a pior do mundo! Entrei no carro e fui bem devagarinho até ultrapassar a portaria do condomínio. Achei que estava indo bem, apesar da baixa velocidade (totalmente anormal para mim, já que dirijo feito louca, o mais rápido que puder). A situação voltou a piorar quando, saindo dos limites do condomínio, peguei a rodovia. Da minha casa para o centro da cidade tenho que pegar essa estrada. Achei que não fosse conseguir. Na alça de acesso me deu de novo o desespero, não conseguia seguir em frente. Parei no recuo, sem saber o que fazer. Um medo desesperador, mas não podia ficar com o carro parado ali. Segui, então, entrando na rodovia pelo acostamento, pisca alerta ligado, a vinte quilômetros por hora. Fui assim até o consultório. Só quando já estava lá é que consegui controlar um pouco a sensação de pânico.
Ufa. Horrível até de lembrar... nada no mundo foi pior do que essa sensação de morte iminente. Depois disso graças a Deus nunca mais tive isso e não quero nem sonhar em ter. Realmente é totalmente compreensível que quem sofre de síndrome do pânico não saia de casa, se esconda embaixo da cama, não queira ver ninguém... Se você, como eu, tem TAG, acredite: há algo pior que o transtorno de ansiedade generalizada. É a síndrome do pânico.
Até mais!
Foi em maio deste ano, quando eu enfrentava todo aquele processo do tratamento para engravidar, estava sem tomar sertralina por causa disso e estava péssima! Nunca vou esquecer, era uma quarta-feira. Fui trabalhar já me sentindo muito mal, com todos os sintomas da TAG a milhão. Na hora do almoço pedi pra minha chefe me dispensar, vim pra casa e desabei na cama. Dormi e acordei com o despertador que eu havia programado para tocar às quatro da tarde, já que às cinco eu tinha terapia marcada com a minha psicóloga. Quando levantei da cama, a pior sensação do mundo: pânico.
Até então eu não sabia o que era isso. Havia lido bastante a respeito mas a sensação é algo absurdamente pior do que eu era capaz de compreender. Quando fui me levantar da cama, já senti um desespero, um medo inexplicável de colocar os pés no chão, fiquei um tempo sentada na cama, coração a mil, tudo rodando.... Andei devagarinho até o banheiro, cada passo era uma tortura. Cheguei na frente do espelho, lavei as mãos para colocar minhas lentes de contato e simplesmente não consegui abaixar a cabeça para levar meus olhos de encontro com as minhas mãos. Voltei à posição com a cabeça levantada e tentei de novo. Não consegui. Um medo desesperado e inexplicável de baixar a cabeça. Desisti, voltei correndo pra cama, onde agarrei o travesseiro, cobri a cabeça, nem abrir os olhos eu conseguia. Fiquei assim alguns minutos, tentando respirar, tentando me acalmar. Não conseguia.
Cogitei ligar para minha psicóloga falando que eu não iria na terapia, eu não conseguia nem sair da cama, como conseguiria dirigir até o consultório? Depois pensei que, no estado que eu estava, não podia perder a chance de uma sessão com a minha psicóloga.... Pensei então em ligar para minha mãe, para ela vir me buscar e me levar até a terapia. Descartei logo em seguida essa possibilidade primeiro porque faltava apenas meia-hora pra minha sessão, não era tempo suficiente para minha mãe sair de onde ela estava, chegar na minha casa e me levar ao consultório. Fora que não sei como explicaria para minha mãe que eu não conseguia nem sair da cama. Resolvi, então, tentar encarar.
Levantei de novo, fui de novo até o banheiro, em vez de baixar a cabeça trouxe meu dedo com a lente até os olhos, tudo isso tremendo, achando que eu ia morrer... desci as escadas do meu quarto até a sala mentalizando que eu era capaz de sair de casa, entrar no carro e dirigir. Eu estava andando curvada, corpo arqueado, não conseguia sequer olhar pra frente, nossa, que sensação horrorosa, a pior do mundo! Entrei no carro e fui bem devagarinho até ultrapassar a portaria do condomínio. Achei que estava indo bem, apesar da baixa velocidade (totalmente anormal para mim, já que dirijo feito louca, o mais rápido que puder). A situação voltou a piorar quando, saindo dos limites do condomínio, peguei a rodovia. Da minha casa para o centro da cidade tenho que pegar essa estrada. Achei que não fosse conseguir. Na alça de acesso me deu de novo o desespero, não conseguia seguir em frente. Parei no recuo, sem saber o que fazer. Um medo desesperador, mas não podia ficar com o carro parado ali. Segui, então, entrando na rodovia pelo acostamento, pisca alerta ligado, a vinte quilômetros por hora. Fui assim até o consultório. Só quando já estava lá é que consegui controlar um pouco a sensação de pânico.
Ufa. Horrível até de lembrar... nada no mundo foi pior do que essa sensação de morte iminente. Depois disso graças a Deus nunca mais tive isso e não quero nem sonhar em ter. Realmente é totalmente compreensível que quem sofre de síndrome do pânico não saia de casa, se esconda embaixo da cama, não queira ver ninguém... Se você, como eu, tem TAG, acredite: há algo pior que o transtorno de ansiedade generalizada. É a síndrome do pânico.
Até mais!
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Herpes eu te amo!
Quem nunca enfrentou crises de ansiedade nessa vida jamais vai entender o título dessa postagem. Eu mesma nunca pensei que falaria algo desse tipo, mas na semana passada descobri o quanto o TAG deixa a pessoa praticamente inatingível emocionalmente em relação às outras doenças.
Na última quarta-feira apareceu uma herpes no canto da minha boca. Nunca havia tido nada parecido. Comprei uma pomada para tratar, mas como meu trabalho envolve contato visual direto com o público, fiquei de quarta à sábado trabalhando apenas internamente, sem contato com ninguém de fora da empresa para não ser desagradável que as pessoas precisassem olhar para as minhas perebas.
Para qualquer pessoa, isso seria super ruim, constrangedor, incômodo. Para mim, foi sensacional!!!! Explico porque: durante minhas crises mais fortes de ansiedade fiquei também parcialmente afastada do trabalho, atuando apenas nos bastidores. Nos dias em que isso acontecia, as pessoas vinham me perguntar: "porque você está trabalhando internamente hoje"? Era difícil responder. Falar: " estou no meio de uma crise de ansiedade" não adiantaria, ninguém entendia. Descrevia o motivo como sendo "tontura" (que era a sensação mais próxima ao compreensível pelas pessoas em geral), mas aí sempre me pediam mais explicações que eram impossíveis de serem dadas. Ninguém entende a TAG assim de primeira, por isso nunca ninguém me entendia. Já com a herpes, foi o oposto!!! Quando alguém perguntava porque eu estava nos bastidores, na hora já mostrava o canto da boca e dizia: herpes!!!
Parece loucura, não é??? O fato é que só eu sei o que é ter uma doença de difícil compreensão... então qualquer doença considerada "normal" jamais vai me abalar. Durante a semana em que fiquei com as feridas, falava de boca cheia que meu problema era herpes! E que delícia foi conseguir sem compreendida de primeira! Que delicia não ser questionada! Que delícia ter uma doença que se resolve com remédio e nada mais!!!! Herpes, eu te amo, obrigada por me proporcionar tudo isso!!!!
Abraços e até a próxima!
Na última quarta-feira apareceu uma herpes no canto da minha boca. Nunca havia tido nada parecido. Comprei uma pomada para tratar, mas como meu trabalho envolve contato visual direto com o público, fiquei de quarta à sábado trabalhando apenas internamente, sem contato com ninguém de fora da empresa para não ser desagradável que as pessoas precisassem olhar para as minhas perebas.
Para qualquer pessoa, isso seria super ruim, constrangedor, incômodo. Para mim, foi sensacional!!!! Explico porque: durante minhas crises mais fortes de ansiedade fiquei também parcialmente afastada do trabalho, atuando apenas nos bastidores. Nos dias em que isso acontecia, as pessoas vinham me perguntar: "porque você está trabalhando internamente hoje"? Era difícil responder. Falar: " estou no meio de uma crise de ansiedade" não adiantaria, ninguém entendia. Descrevia o motivo como sendo "tontura" (que era a sensação mais próxima ao compreensível pelas pessoas em geral), mas aí sempre me pediam mais explicações que eram impossíveis de serem dadas. Ninguém entende a TAG assim de primeira, por isso nunca ninguém me entendia. Já com a herpes, foi o oposto!!! Quando alguém perguntava porque eu estava nos bastidores, na hora já mostrava o canto da boca e dizia: herpes!!!
Parece loucura, não é??? O fato é que só eu sei o que é ter uma doença de difícil compreensão... então qualquer doença considerada "normal" jamais vai me abalar. Durante a semana em que fiquei com as feridas, falava de boca cheia que meu problema era herpes! E que delícia foi conseguir sem compreendida de primeira! Que delicia não ser questionada! Que delícia ter uma doença que se resolve com remédio e nada mais!!!! Herpes, eu te amo, obrigada por me proporcionar tudo isso!!!!
Abraços e até a próxima!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Ansiedade x maternidade
Já contei aqui sobre o meu sonho de ser mãe. Qual mulher não tem esse sonho? É a ordem natural das coisas, é a seqüência da vida, faz parte do nosso instinto de continuidade... o que há de anormal nisso? Para o mundo, nada. Para uma ansiosa, tudo!
Nunca cogitei a possibilidade de passar por essa vida sem ter um filho, mas - como qualquer pessoa responsável - sempre tomei cuidado para evitar que isso acontecesse fora de hora. Comecei a tomar pílula aos 15 anos e, como sempre tive vida sexual ativa, quase não parei mais com os anticoncepcionais. Só quando completei 30 anos e já estava casada há quatro é que decidi que era a hora de parar. Isso foi em maio do ano passado, quando eu já sabia que sofria de transtorno de ansiedade generalizada, mas esse problema estava super controlado na época, há muito eu não sofria com as malditas crises, por isso resolvi parar com a pílula.
Jamais havia pensado que eu poderia ter algum problema para engravidar, afinal, sempre fiz acompanhamento com ginecologista pelo menos uma vez por ano. Os exames nunca mostraram nada fora do esperado. Quando parei de tomar pílula, voltei ao médico só mesmo por desencargo de consciência, só para avisar que havia parado. Ele pediu alguns exames e eis que, sem o efeito do anticoncepcional, foi possível perceber que eu tenho ovários micropolicísticos, um problema que é "maquiado" pela pílula, podendo não ser diagnosticado durante o uso do anticoncepcional. Sim, eu teria dificuldades para engravidar.
Agora imagine a situação: uma ansiosa de carteirinha sem saber se levaria um mês, um ano ou dez anos para conseguir algo que quer muito?!? Difícil. Quando recebi o diagnóstico e finalmente entendi o que o ovário policístico representaria na minha vida, tentei esquecer do assunto para não desencadear uma crise de ansiedade. Afinal, a partir daquele momento, eu teria duas situações para lidar: o desafio de parar de vez com a sertralina (já que o ginecologista avisou que não poderia tomar esse remédio na gravidez) e a necessidade de fazer tratamento para conseguir engravidar.
Como sempre planejei ser mãe depois que completasse cinco anos de casamento, deixei previsto para março do ano seguinte a procura por algum método de fertilização. Para isso, já fui me preparando, reduzindo ao máximo a dose do Assert, até interromper seu uso de vez. Quando janeiro chegou, veio também uma nova crise. Na época, não pensei que pudesse ser já um sofrimento antecipado pela ansiedade que representaria fazer uma fertilização. Hoje isso é muito claro para mim. A minha pior crise até hoje, entre os meses de abril e maio, também não me deixa dúvidas de que foi causada pela ansiedade do tratamento.
Não sei ao certo se já escrevi aqui o que minha psicóloga fala a respeito da minha personalidade "controladora". Ansiosos geralmente têm essa mania, de querer controlar tudo. Como isso é impossível, as crises de ansiedade acabam sendo inevitáveis. Na minha vida, com exceção do TAG, tudo aconteceu conforme planejei. Eu queria entrar no mercado de trabalho, na minha área, ainda durante a faculdade. Desdobrei-me num estágio não remunerado até conseguir uma vaga efetiva, logo durante o primeiro ano de curso. Depois de formada, fui para uma empresa onde comecei em um cargo que não era o que eu considerava ideal para mim. Batalhei até conseguir atingir honestamente a função que eu almejava. Sempre sonhei em casar de véu e grinalda, mas nem eu e nem meu então namorado tínhamos pai e mãe com grana pra bancar esse sonho, batalhamos pra juntar dinheiro e conseguimos não só fazer uma cerimônia com uma festa simples, porém linda, como também viajamos de lua-de-mel para o destino com o qual sonhávamos. Não tínhamos dinheiro pra comprar uma casa, mas também não queríamos ficar pagando aluguel... fomos atrás de um esquema de leilão da Caixa Econômica Federal e demos um lance num apartamento que sairia 1/4 daquilo que ele valia. Como o valor era baixo, conseguimos pagar a vista. Enfim, o que estou querendo dizer é que tudo aquilo eu planejei pra minha vida, mesmo com dificuldades, eu fiz acontecer porque eram coisas que dependiam de mim para virar realidade, nada saiu do meu "controle". Mas o que fazer com um problema de saúde que me impedia de engravidar naturalmente? Pronto, eu havia perdido o controle da situação e as crises voltaram... oscilando, mas voltaram.
Alguém pode dizer: "mas para problemas de fertilidade, existem os tratamentos". Era o que eu pensava, que era simples, que era algo que de alguma forma poderia manter meu plano de engravidar "sob controle"... isso até descobrir como esses tratamento funcionam. Para o meu caso, o médico decidiu começar pelo que é chamado de "coito programado". A mulher toma remédios para estimular o desenvolvimento dos folículos. São vários dias de injeções na barriga e é preciso fazer uma seqüência de ultrassons (tipo um dia sim, um dia não) para ver como os folículos se desenvolvem sendo que: 1- você precisa torcer para ter, no máximo, três folículos no tamanho considerado adequado, caso contrário o tratamento é interrompido pela possibilidade de uma gravidez múltipla de alto risco; 2- você precisa torcer para que esses folículos atinjam no mínimo 18 mm de circunferência, se forem menores que isso o tratamento é interrompido porque os folículos não chegam no ponto de ovulação; 3- se os folículos crescerem no tamanho e na quantidade ideais, você toma uma última injeção que é um indutor de ovulação, aí é preciso torcer para você realmente ovular; 4- ao tomar esse indutor de ovulação é preciso ter relação sexual oito horas depois e torcer para o espermatozóide encontrar o óvulo; 5- se todas as etapas anteriores derem certo é preciso, enfim, torcer para o embrião vingar.
Ou seja, NADA é possível de se controlar. Só depende da resposta do seu organismo, ou seja, não há o que fazer, a não ser esperar sem saber se vai dar certo. Detalhe: recomenda-se passar por tudo isso sem tomar remédios para controlar toda a ansiedade que esse tratamento representa. Dureza né... definitivamente Deus está me fazendo provar que meu desejo de ser mãe é maior do que tudo isso!
Em maio fiz o tratamento pela primeira vez. Na época, li muito a respeito na internet e encontrei muitas contradições a respeito do uso de sertralina durante a gestação. Na verdade não encontrei nada absurdamente conclusivo. Consultei minha psiquiatra, ela me explicou que em casos de gestação existem três "níveis" de medicamentos controlados: os de classe A, que a gestante não pode usar de jeito nenhum pelas consequências que podem trazer; os de classe B, que trouxeram prejuízos a parte das gestantes ou bebês que fizeram uso deles; os de classe C, que não se sabe se podem ou não trazer prejuízos a uma gestação. A sertralina está na classe C. Segundo a psiquiatra, não é recomendável mas eu também não precisava me descabelar caso engravidasse tomando a sertralina. Ela fez a seguinte comparação para me explicar isso: há algum tempo diziam que mulher grávida não podia viajar de avião, aí quem viajava sofria um aborto e ele era atribuído ao vôo, mas isso era impossível de ser comprovado, se realmente tinha sido a viagem de avião a responsável pela perda do bebê. Por precaução recomendava-se que a mulher não viajasse, mas nada podia ser confirmado, se uma coisa estava relacionada a outra. Com os medicamentos classe C é mais ou menos a mesma coisa. Sim, já aconteceu de mulheres que tomam esses remédios terem problemas, mas nunca se comprovou que esses problemas tenham sido causados pelos medicamentos.
Difícil explicar e entender tudo isso, não é... mas como eu estava com uma crise difícil de controlar, quando procurei o médico para começar o tratamento pela primeira vez eu estava sim tomando sertralina. Falei isso para o ginecologista e de cara ele me mandou interromper o medicamento, ele só permitiu o uso de fluoxetina durante o tratamento. Para mim, foi a mesma coisa do que estar tomando água... a fluoxetina simplesmente não aliviava em nada os sintomas do TAG. Entrei naquele esquema de injeções / ultrassons e - é claro - minha ansiedade foi a milhão. Foi sem dúvida minha pior crise de ansiedade. O tratamento não deu certo, os folículos nem chegaram perto do tamanho que deveriam chegar. Fiquei triste por um lado. Aliviada por outro. Poderia voltar com a sertralina para me ajudar a voltar à vida.
Em julho, quando parti para a segunda tentativa de fertilização eu estava super bem, sem remédio. Fiz o tratamento todo sem precisar tentar recorrer à fluoxetina e sem sofrer muito por causa disso. Cheguei até a etapa da ovulação, cheguei a ter um embrião, mas sofri um abordo espontâneo em seguida. Tanto o ginecologista quanto a psiquiatra garantiram que isso nada tinha a ver com o fato de eu ter tomado sertralina no mês anterior ao tratamento. Segui a vida em frente, eu teria que esperar três meses até fazer outra tentativa de fertilização... mesmo depois da notícia do aborto eu estava bem, sem precisar voltar a tomar remédios. Durante quase dois meses fiquei sem medicamentos. Agora, que está chegando outubro, o mês em que vou poder fazer outra fertilização, os sintomas do TAG voltaram e eu voltei com o remédio. Não vou parar com ele até o começo do novo tratamento, pelo meu bem.
Como eu disse, toda essa dificuldade em realizar o sonho de ser mãe parece - para mim - uma provação de Deus para testar se essa minha vontade é suficientemente grande a ponto de suportar tudo isso. Por enquanto, sim. Não pretendo desistir, apesar de todos os obstáculos que existem entre a ansiedade e a maternidade. Ainda não tenho uma opinião absolutamente formada sobre a interferência dos medicamentos para TAG nesse processo todo... só o que sei dizer é que, com ou sem remédios, vou seguir em frente. Se eu sobreviver a essa terceira tentativa de tratamento de fertilização já vou me considerar vitoriosa, ela resultando ou não em uma gravidez. Tenho medo de não dar certo de novo? Sim. Fico receosa de dar certo mas de novo eu sofrer um aborto? Sim. Sofro por nada estar sob controle nesse setor da minha vida? MUITO. O que fazer então? Simplesmente tentar não pensar em nada disso e encarar. Algo que pode parecer fácil para o mundo inteiro... mas que, para quem tem TAG, representa a tarefa mais difícil que poderia existir.
Um abraço!
Nunca cogitei a possibilidade de passar por essa vida sem ter um filho, mas - como qualquer pessoa responsável - sempre tomei cuidado para evitar que isso acontecesse fora de hora. Comecei a tomar pílula aos 15 anos e, como sempre tive vida sexual ativa, quase não parei mais com os anticoncepcionais. Só quando completei 30 anos e já estava casada há quatro é que decidi que era a hora de parar. Isso foi em maio do ano passado, quando eu já sabia que sofria de transtorno de ansiedade generalizada, mas esse problema estava super controlado na época, há muito eu não sofria com as malditas crises, por isso resolvi parar com a pílula.
Jamais havia pensado que eu poderia ter algum problema para engravidar, afinal, sempre fiz acompanhamento com ginecologista pelo menos uma vez por ano. Os exames nunca mostraram nada fora do esperado. Quando parei de tomar pílula, voltei ao médico só mesmo por desencargo de consciência, só para avisar que havia parado. Ele pediu alguns exames e eis que, sem o efeito do anticoncepcional, foi possível perceber que eu tenho ovários micropolicísticos, um problema que é "maquiado" pela pílula, podendo não ser diagnosticado durante o uso do anticoncepcional. Sim, eu teria dificuldades para engravidar.
Agora imagine a situação: uma ansiosa de carteirinha sem saber se levaria um mês, um ano ou dez anos para conseguir algo que quer muito?!? Difícil. Quando recebi o diagnóstico e finalmente entendi o que o ovário policístico representaria na minha vida, tentei esquecer do assunto para não desencadear uma crise de ansiedade. Afinal, a partir daquele momento, eu teria duas situações para lidar: o desafio de parar de vez com a sertralina (já que o ginecologista avisou que não poderia tomar esse remédio na gravidez) e a necessidade de fazer tratamento para conseguir engravidar.
Como sempre planejei ser mãe depois que completasse cinco anos de casamento, deixei previsto para março do ano seguinte a procura por algum método de fertilização. Para isso, já fui me preparando, reduzindo ao máximo a dose do Assert, até interromper seu uso de vez. Quando janeiro chegou, veio também uma nova crise. Na época, não pensei que pudesse ser já um sofrimento antecipado pela ansiedade que representaria fazer uma fertilização. Hoje isso é muito claro para mim. A minha pior crise até hoje, entre os meses de abril e maio, também não me deixa dúvidas de que foi causada pela ansiedade do tratamento.
Não sei ao certo se já escrevi aqui o que minha psicóloga fala a respeito da minha personalidade "controladora". Ansiosos geralmente têm essa mania, de querer controlar tudo. Como isso é impossível, as crises de ansiedade acabam sendo inevitáveis. Na minha vida, com exceção do TAG, tudo aconteceu conforme planejei. Eu queria entrar no mercado de trabalho, na minha área, ainda durante a faculdade. Desdobrei-me num estágio não remunerado até conseguir uma vaga efetiva, logo durante o primeiro ano de curso. Depois de formada, fui para uma empresa onde comecei em um cargo que não era o que eu considerava ideal para mim. Batalhei até conseguir atingir honestamente a função que eu almejava. Sempre sonhei em casar de véu e grinalda, mas nem eu e nem meu então namorado tínhamos pai e mãe com grana pra bancar esse sonho, batalhamos pra juntar dinheiro e conseguimos não só fazer uma cerimônia com uma festa simples, porém linda, como também viajamos de lua-de-mel para o destino com o qual sonhávamos. Não tínhamos dinheiro pra comprar uma casa, mas também não queríamos ficar pagando aluguel... fomos atrás de um esquema de leilão da Caixa Econômica Federal e demos um lance num apartamento que sairia 1/4 daquilo que ele valia. Como o valor era baixo, conseguimos pagar a vista. Enfim, o que estou querendo dizer é que tudo aquilo eu planejei pra minha vida, mesmo com dificuldades, eu fiz acontecer porque eram coisas que dependiam de mim para virar realidade, nada saiu do meu "controle". Mas o que fazer com um problema de saúde que me impedia de engravidar naturalmente? Pronto, eu havia perdido o controle da situação e as crises voltaram... oscilando, mas voltaram.
Alguém pode dizer: "mas para problemas de fertilidade, existem os tratamentos". Era o que eu pensava, que era simples, que era algo que de alguma forma poderia manter meu plano de engravidar "sob controle"... isso até descobrir como esses tratamento funcionam. Para o meu caso, o médico decidiu começar pelo que é chamado de "coito programado". A mulher toma remédios para estimular o desenvolvimento dos folículos. São vários dias de injeções na barriga e é preciso fazer uma seqüência de ultrassons (tipo um dia sim, um dia não) para ver como os folículos se desenvolvem sendo que: 1- você precisa torcer para ter, no máximo, três folículos no tamanho considerado adequado, caso contrário o tratamento é interrompido pela possibilidade de uma gravidez múltipla de alto risco; 2- você precisa torcer para que esses folículos atinjam no mínimo 18 mm de circunferência, se forem menores que isso o tratamento é interrompido porque os folículos não chegam no ponto de ovulação; 3- se os folículos crescerem no tamanho e na quantidade ideais, você toma uma última injeção que é um indutor de ovulação, aí é preciso torcer para você realmente ovular; 4- ao tomar esse indutor de ovulação é preciso ter relação sexual oito horas depois e torcer para o espermatozóide encontrar o óvulo; 5- se todas as etapas anteriores derem certo é preciso, enfim, torcer para o embrião vingar.
Ou seja, NADA é possível de se controlar. Só depende da resposta do seu organismo, ou seja, não há o que fazer, a não ser esperar sem saber se vai dar certo. Detalhe: recomenda-se passar por tudo isso sem tomar remédios para controlar toda a ansiedade que esse tratamento representa. Dureza né... definitivamente Deus está me fazendo provar que meu desejo de ser mãe é maior do que tudo isso!
Em maio fiz o tratamento pela primeira vez. Na época, li muito a respeito na internet e encontrei muitas contradições a respeito do uso de sertralina durante a gestação. Na verdade não encontrei nada absurdamente conclusivo. Consultei minha psiquiatra, ela me explicou que em casos de gestação existem três "níveis" de medicamentos controlados: os de classe A, que a gestante não pode usar de jeito nenhum pelas consequências que podem trazer; os de classe B, que trouxeram prejuízos a parte das gestantes ou bebês que fizeram uso deles; os de classe C, que não se sabe se podem ou não trazer prejuízos a uma gestação. A sertralina está na classe C. Segundo a psiquiatra, não é recomendável mas eu também não precisava me descabelar caso engravidasse tomando a sertralina. Ela fez a seguinte comparação para me explicar isso: há algum tempo diziam que mulher grávida não podia viajar de avião, aí quem viajava sofria um aborto e ele era atribuído ao vôo, mas isso era impossível de ser comprovado, se realmente tinha sido a viagem de avião a responsável pela perda do bebê. Por precaução recomendava-se que a mulher não viajasse, mas nada podia ser confirmado, se uma coisa estava relacionada a outra. Com os medicamentos classe C é mais ou menos a mesma coisa. Sim, já aconteceu de mulheres que tomam esses remédios terem problemas, mas nunca se comprovou que esses problemas tenham sido causados pelos medicamentos.
Difícil explicar e entender tudo isso, não é... mas como eu estava com uma crise difícil de controlar, quando procurei o médico para começar o tratamento pela primeira vez eu estava sim tomando sertralina. Falei isso para o ginecologista e de cara ele me mandou interromper o medicamento, ele só permitiu o uso de fluoxetina durante o tratamento. Para mim, foi a mesma coisa do que estar tomando água... a fluoxetina simplesmente não aliviava em nada os sintomas do TAG. Entrei naquele esquema de injeções / ultrassons e - é claro - minha ansiedade foi a milhão. Foi sem dúvida minha pior crise de ansiedade. O tratamento não deu certo, os folículos nem chegaram perto do tamanho que deveriam chegar. Fiquei triste por um lado. Aliviada por outro. Poderia voltar com a sertralina para me ajudar a voltar à vida.
Em julho, quando parti para a segunda tentativa de fertilização eu estava super bem, sem remédio. Fiz o tratamento todo sem precisar tentar recorrer à fluoxetina e sem sofrer muito por causa disso. Cheguei até a etapa da ovulação, cheguei a ter um embrião, mas sofri um abordo espontâneo em seguida. Tanto o ginecologista quanto a psiquiatra garantiram que isso nada tinha a ver com o fato de eu ter tomado sertralina no mês anterior ao tratamento. Segui a vida em frente, eu teria que esperar três meses até fazer outra tentativa de fertilização... mesmo depois da notícia do aborto eu estava bem, sem precisar voltar a tomar remédios. Durante quase dois meses fiquei sem medicamentos. Agora, que está chegando outubro, o mês em que vou poder fazer outra fertilização, os sintomas do TAG voltaram e eu voltei com o remédio. Não vou parar com ele até o começo do novo tratamento, pelo meu bem.
Como eu disse, toda essa dificuldade em realizar o sonho de ser mãe parece - para mim - uma provação de Deus para testar se essa minha vontade é suficientemente grande a ponto de suportar tudo isso. Por enquanto, sim. Não pretendo desistir, apesar de todos os obstáculos que existem entre a ansiedade e a maternidade. Ainda não tenho uma opinião absolutamente formada sobre a interferência dos medicamentos para TAG nesse processo todo... só o que sei dizer é que, com ou sem remédios, vou seguir em frente. Se eu sobreviver a essa terceira tentativa de tratamento de fertilização já vou me considerar vitoriosa, ela resultando ou não em uma gravidez. Tenho medo de não dar certo de novo? Sim. Fico receosa de dar certo mas de novo eu sofrer um aborto? Sim. Sofro por nada estar sob controle nesse setor da minha vida? MUITO. O que fazer então? Simplesmente tentar não pensar em nada disso e encarar. Algo que pode parecer fácil para o mundo inteiro... mas que, para quem tem TAG, representa a tarefa mais difícil que poderia existir.
Um abraço!
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Atenção ansiosos: sejamos "egoístas"!
Há tempos quero escrever sobre o assunto porque desde que comecei a "desvendar" o TAG percebi isso... entre outras coisas, a ansiedade é - nada mais nada menos - que o OPOSTO de "egoísmo". Hoje não tenho mais como adiar, preciso escrever sobre isso porque tive mais uma comprovação dessa minha tese: pensar demais nos outros gera ansiedade.
Explico: na manhã desta segunda-feira fui acordada por uma ligação da minha depiladora, com que mantenho contato apenas como cliente e nada mais, me informando sobre a morte do filho dela. Ele havia matado a esposa e se suicidado em seguida. O telefonema foi porque eu trabalho em um meio de comunicação e ela temia pelas notícias que seriam veiculadas a respeito do caso na imprensa. No mesmo momento em que ela me relatou o ocorrido, eu tive exatamente todos os sintomas que o meu transtorno de ansiedade me causa: minha vista escureceu, tive tontura, sensação de desmaio, batimentos cardíacos acelerados. Tive que me deitar para recobrar os sentidos. Motivo: eu me abalo muito com tudo que acontece (ou pode acontecer) ao meu redor, com as pessoas com quem eu convivo.
Eu já sabia disso. Sempre me preocupei demais com tudo. Se minha mãe não está bem, com algum problema de saúde, fico preocupada, não páro de pensar nisso. Se meu irmão viaja fico pensando se ele vai chegar bem, se algo pode acontecer no caminho, se a estrada é perigosa. Recentemente soube que uma colega de trabalho muito próxima a mim seria demitida, fiquei com isso na cabeça sofrendo por ela, pela forma que essa notícia seria dada a ela, pensando como ficaria a vida dela com essa demissão... enfim, TUDO que envolve pessoas ligadas de alguma forma a mim sempre me preocupou muito, mesmo que eu não pudesse fazer nada a respeito.
Foi com a minha psicóloga, nas sessões de terapia, que me dei conta do quanto eu gastava energia pensando em pessoas e acontecimentos que não me diziam respeito. E o quanto isso gerava ansiedade. Lendo o blog ao qual eu sempre me refiro aqui (www.psicoterapia.psc.br) encontrei várias possibilidades para uma pessoa desenvolver o transtorno de ansiedade generalizada e uma delas é a seguinte: "ter sido criada por pais que apresentavam excessivo cuidado, com ansiedade e superproteção relacionados ao bem estar físico". Bingo. Fui criada exatamente assim.
Quando criança, minha mãe se desesperava a qualquer problema de saúde que eu viesse a ter. Qualquer demora além do normal para minha chegada em casa, na adolescência, era motivo de desespero. Se ela fica sabendo que, por algum motivo não fui trabalhar, já vem até a minha casa ver o que me aconteceu. É e sempre foi assim. Minha mãe é muito desesperada nesse sentido e, como fui filha única durante dez anos até que meu irmão nascesse, fui muito sobrecarregada de cuidados excessivos. Infelizmente, "peguei" isso da minha mãe.
Já escrevi aqui sobre o pensamento. Sobre o fato de "pensar demais" ser o veneno do ansioso. Realmente é, mas existe algo pior do que pensar demais, que é pensar demais NOS OUTROS. Porque se vc pensa muito, sem parar, mas exclusivamente em você mesmo, nas coisas que te dizem respeito, é mais simples administrar, afinal, tudo depende de você, os sentimentos e as ações são suas. Já se preocupar muito com os outros é angustiante porque definitivamente não há o que se possa fazer na maioria das vezes. Daí vem - de novo - aquela difícil tarefa de "parar de pensar". Nesse caso, parar de pensar nos outros. Ou seja, exercitar o "egoísmo".
Desde crianças aprendemos que temos que ajudar o próximo, que não podemos pensar apenas em nós mesmos, que devemos ser solidários, etc, etc, etc... sempre aprendi isso e sempre prezei muito por isso. Não, não é que esses ensinamentos estejam errados. A realidade é que isso precisa ter uma medida. Medida essa que eu não soube dosar ao longo da minha vida e agora preciso aprender a fazer. Acho que já evoluí bastante nos últimos tempos... mas hoje, depois de ser acordada pelo telefonema da minha depiladora, percebi que ainda falta muito para eu ser a "egoísta" em que preciso me transformar.
Por hoje é só!
Explico: na manhã desta segunda-feira fui acordada por uma ligação da minha depiladora, com que mantenho contato apenas como cliente e nada mais, me informando sobre a morte do filho dela. Ele havia matado a esposa e se suicidado em seguida. O telefonema foi porque eu trabalho em um meio de comunicação e ela temia pelas notícias que seriam veiculadas a respeito do caso na imprensa. No mesmo momento em que ela me relatou o ocorrido, eu tive exatamente todos os sintomas que o meu transtorno de ansiedade me causa: minha vista escureceu, tive tontura, sensação de desmaio, batimentos cardíacos acelerados. Tive que me deitar para recobrar os sentidos. Motivo: eu me abalo muito com tudo que acontece (ou pode acontecer) ao meu redor, com as pessoas com quem eu convivo.
Eu já sabia disso. Sempre me preocupei demais com tudo. Se minha mãe não está bem, com algum problema de saúde, fico preocupada, não páro de pensar nisso. Se meu irmão viaja fico pensando se ele vai chegar bem, se algo pode acontecer no caminho, se a estrada é perigosa. Recentemente soube que uma colega de trabalho muito próxima a mim seria demitida, fiquei com isso na cabeça sofrendo por ela, pela forma que essa notícia seria dada a ela, pensando como ficaria a vida dela com essa demissão... enfim, TUDO que envolve pessoas ligadas de alguma forma a mim sempre me preocupou muito, mesmo que eu não pudesse fazer nada a respeito.
Foi com a minha psicóloga, nas sessões de terapia, que me dei conta do quanto eu gastava energia pensando em pessoas e acontecimentos que não me diziam respeito. E o quanto isso gerava ansiedade. Lendo o blog ao qual eu sempre me refiro aqui (www.psicoterapia.psc.br) encontrei várias possibilidades para uma pessoa desenvolver o transtorno de ansiedade generalizada e uma delas é a seguinte: "ter sido criada por pais que apresentavam excessivo cuidado, com ansiedade e superproteção relacionados ao bem estar físico". Bingo. Fui criada exatamente assim.
Quando criança, minha mãe se desesperava a qualquer problema de saúde que eu viesse a ter. Qualquer demora além do normal para minha chegada em casa, na adolescência, era motivo de desespero. Se ela fica sabendo que, por algum motivo não fui trabalhar, já vem até a minha casa ver o que me aconteceu. É e sempre foi assim. Minha mãe é muito desesperada nesse sentido e, como fui filha única durante dez anos até que meu irmão nascesse, fui muito sobrecarregada de cuidados excessivos. Infelizmente, "peguei" isso da minha mãe.
Já escrevi aqui sobre o pensamento. Sobre o fato de "pensar demais" ser o veneno do ansioso. Realmente é, mas existe algo pior do que pensar demais, que é pensar demais NOS OUTROS. Porque se vc pensa muito, sem parar, mas exclusivamente em você mesmo, nas coisas que te dizem respeito, é mais simples administrar, afinal, tudo depende de você, os sentimentos e as ações são suas. Já se preocupar muito com os outros é angustiante porque definitivamente não há o que se possa fazer na maioria das vezes. Daí vem - de novo - aquela difícil tarefa de "parar de pensar". Nesse caso, parar de pensar nos outros. Ou seja, exercitar o "egoísmo".
Desde crianças aprendemos que temos que ajudar o próximo, que não podemos pensar apenas em nós mesmos, que devemos ser solidários, etc, etc, etc... sempre aprendi isso e sempre prezei muito por isso. Não, não é que esses ensinamentos estejam errados. A realidade é que isso precisa ter uma medida. Medida essa que eu não soube dosar ao longo da minha vida e agora preciso aprender a fazer. Acho que já evoluí bastante nos últimos tempos... mas hoje, depois de ser acordada pelo telefonema da minha depiladora, percebi que ainda falta muito para eu ser a "egoísta" em que preciso me transformar.
Por hoje é só!
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Ai se eu te pego...!
Há um tempo não apareço por aqui, mas sigo naquela vida... tentando não deixar a ansiedade me pegar de jeito! Olha que ela tem tentado bastante viu... nesse exato momento ela está tentando, insistindo... mas agora que a conheço um pouco melhor, tento "pega-la" antes que ela me pegue!
Não é fácil viver assim, fugindo não se sabe do que... mas ando descobrindo que não ser "pego"pelo TAG é quase uma arte rsrsrsrs... Como é muito difícil saber de onde vêm e por que as crises vêm, é mais simples e eficiente não se questionar muito... e sim tentar afastá-las antes que cheguem e se instalem de vez. Só depois de mandar a ansiedade pra longe é que tento compreendê-la.... manter uma distância segura dela é uma das formas de não se deixar pegar.
Para falar dessa luta - ora com batalhas vencidas, ora com um embate mais árduo - deveria tratar de outros temas que estou "devendo"aqui... há muito sobre o que eu gostaria e deveria escrever... como ando meio que sem tempo, hoje deixo para relatar apenas meus últimos confrontos.
São pequenas coisas, eu sei: questões familiares... uma viagem de dez dias do marido para o exterior... uma situação de desconforto no trabalho com possibilidades de grandes mudanças que devem afetar pessoas muito próximas a mim. Tudo "administrável", nada grave. Não para minha razão.... mas quem disse que quem tem TAG consegue administrar todas essas pequenas coisas sem dar ouvidos às emoções (e são tantas emoções rsrsrs)?
Nas últimas vezes que as crises foram chegando perto, tive diferentes comportamentos... há cerca de três meses estava descontando na comida... claro que não funciona, mas é uma forma de compensação que - apesar de a minha psicóloga me lembrar sempre que não faz sentido - eu acho que consola. Então eu vinha fazendo isso, me permitindo tudo: se queria comer, comia; se queria faltar na academia, faltava; se queria me empenhar o mínimo no trabalho, me empenhava. Assim a vida seguiu sem a ansiedade me pegar mais uma vez. Depois, há cerca de um mês, controlei simplesmente fechando os olhos para os sintomas e esperando passar. Fui seguindo a vida sem me deixar pegar pelo TAG. Há umas duas semanas, mais uma nítida tentativa da ansiedade me pegar. Mais uma vez fechei os olhos e esperei passar. Achei que tinha passado. Mas eis que essa semana ela mostrou que chegou mesmo e está louca pra ficar e me pegar de vez!
Não quero ser pega, isso é fato. Não quero soluções paliativas, como as últimas que descrevi acima, porque se for assim sei que ela vai voltar. Estava há cerca de dois meses praticamente sem tomar remédios para ansiedade... não gostaria de voltar a tomar, mas gostaria menos ainda de voltar a ter as terríveis crises de TAG. Então hoje, bastante contrariada, voltei com a sertralina. Antes ela do que a crise. Antes a dependência do que a crise. Antes não poder engravidar por tomar remédios controlados do que a crise. Antes TUDO do que a crise.
Como já disse aqui no blog, não tenho preconceito com remédio psiquiátrico, não teria problema em tomá-lo para o resto da vida se eu não tivesse o sonho de ser mãe... então eu poderia continuar tentando fugir da crise de ansiedade sem a sertralina, mas hoje é muito claro para mim que ela acalma, tranquiliza e ajuda quem tem TAG a entrar nos eixos para assim poder colocar as idéias no lugar. Por isso resolvi voltar a tomá-lo para depois sim poder voltar a pensar em gravidez, para depois sim poder voltar a lidar com minhas questões pessoais que levam às crises. Sei que o remédio não cura a ansiedade fóbica. Ele apenas controla os sintomas para que, assim, EU possa mandar a crise pra bem longe. Porque só cada um tem o poder de fazer isso. Só EU tenho o poder de não me deixar pegar pelo TAG. O remédio só dá uma mãozinha para que eu tenha serenidade e consiga me manter longe da ansiedade para pegá-la.. antes que ela me pegue!
Até a próxima, espero que com boas notícias.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Como controlar o incontrolável
Imagine algo complicado de controlar. Algo bem difícil mesmo, por exemplo: parar de comer chocolate. Difícil! Ficar um mês sem o telefone celular. Deixar de usar a Internet para sempre! Pedir para um fumante parar de fumar. Dureza. Ainda assim, acredito que quase nada possa ser comparável ao que eu estou tendo que fazer para controlar meu transtorno de ansiedade: parar de pensar! Não é como um alcoólatra que, para beber, tem que sair de casa, comprar um goró, pegar a garrafa, abrir e virar! Não é como qualquer outro vício que exige uma ação para se concretizar. Para pensar, basta... estar vivo!
"Caso a pessoa conseguisse mergulhar em seu momento presente, a ansiedade tenderia a diminuir dramaticamente, ou mesmo se dissolver. Um primeiro modo de se fazer presente é se observar, se perceber, mesmo estando mentalmente preocupado com o futuro. Então, feche os olhos e observe seus pensamentos. Dedique alguns minutos a isto. Desenvolver o “eu que observa”. Apenas observe e comece a aprender sobre você e seu funcionamento mental. Comece a perceber como há automatismos de pensamento que dominam sua mente e levam você a se sentir cada mais ansioso. Durante o exercício não tenha pressa e não espere nenhum resultado imediato. A pressa é um sinal de quem está voltado mentalmente para o futuro e seu objetivo agora é enraizar sua presença no agora, numa atitude de espectador e de não identificação com os pensamentos. Não se preocupe de tentar parar ou mudar os pensamentos, mas reconhecer estes automatismos que eternizam sua ansiedade. A meta agora é de reconhecimento/aceitação e não de controle. Você vai começar a perceber que o perigo não está no aqui e agora, mas é cultivado através destes pensamentos negativos e catastróficos. Quando você sai da identificação com o “eu que pensa” e passa a centrar sua consciência no “eu que observa””, você começa a enfraquecer estes padrões automáticos de pensamento, retira parte de sua energia e começa a criar uma nova experiência interna. Este é um primeiro passo".
Foi assim que comecei a mudar meus pensamentos. Descobri que mais do que "parar de pensar", eu tinha sim é que mudar a FORMA de pensar, pensando só no hoje, no presente e, mais do que isso, me "sentir" presente... perceber meu corpo e minha mente AGORA e nada mais. Passei a fechar os olhos e perceber: "sim, estou com a garganta fechada de angústia, mas estou no conforto da minha casa, com o meu cobertor e só isso que importa agora". Parei de pensar em tudo que não fosse esse exato segundo. Parei de fazer planos. Foi triste porque sempre gostei de planejar, me transportar para aquele futuro que estava imaginando... mas isso não podia mais fazer parte dos meus pensamentos porque isso é uma forma de querer controlar o que está por vir.
Então, naquela noite de sábado, pedi que meu marido assistisse ao filme sozinho... e mergulhei de cabeça naquele blog! Comecei a fazer os exercícios de "eu observador" proposto por ele. Foi o começo do caminho que ainda estou percorrendo para deixar a mente focada apenas no hoje. No agora. Nesse exato momento e nada mais. Para assim tentar manter meus pensamentos e minha ansiedade em níveis que me permitam continuar vivendo.
Desculpem pelo post gigante, mas é que essa busca pela arte de administrar os próprios pensamentos é essencial para quem sofre com a TAG. É essencial para mim!
Eis então a missão de quem sofre de TAG. Parar de pensar. Como disse no post anterior, demorou para eu descobrir que o pensamento era o meu veneno... demorou para eu assimilar que eu teria que parar de fazer o que eu mais fazia nessa vida para melhorar... demorou ainda mais para eu, enfim, colocar em prática a árdua tarefa de não pensar! A questão a se discutir - a partir dessa constatação - passa a ser: como fazer isso??? Como controlar o incontrolável? Deixar de fazer aquilo que, de tão automático, se torna algo imperceptível? É possível??? Nunca pensei que seria capaz de responder isso, mas - sim - é possível!
Bem sinceramente é difícil tentar explicar como conseguir essa proeza. Primeiro porque ainda estou em fase de "aprendizado". Segundo porque acredito que não haja uma fórmula única, cada um precisa buscar seu caminho... No meu caso, quando enfim me dei conta de que precisava parar de pensar por uma questão de sobrevivência, a primeira coisa que fiz foi começar a praticar ioga. Meu pai dá aulas de ioga, mas eu nunca tinha feito... Foi por saber da tal paz de espírito proposta por essa prática (e comprovadamente conquistada por muitos) que tentei buscar, nela, o tal "esvaziamento da mente". Foi bom... aprendi a respirar direito, a diminuir o ritmo... mas passei longe, muuuito longe de conseguir atingir o estágio "zen", o tal "pranaiama" dos iogues, que é conseguir meditar com a mente livre de pensamentos. Ok, confesso que não insisti muito no ioga... talvez se tivesse praticado por mais tempo tivesse outros resultados... ou não! O fato é que percebi que esse não era o caminho, não para mim.
Bem sinceramente é difícil tentar explicar como conseguir essa proeza. Primeiro porque ainda estou em fase de "aprendizado". Segundo porque acredito que não haja uma fórmula única, cada um precisa buscar seu caminho... No meu caso, quando enfim me dei conta de que precisava parar de pensar por uma questão de sobrevivência, a primeira coisa que fiz foi começar a praticar ioga. Meu pai dá aulas de ioga, mas eu nunca tinha feito... Foi por saber da tal paz de espírito proposta por essa prática (e comprovadamente conquistada por muitos) que tentei buscar, nela, o tal "esvaziamento da mente". Foi bom... aprendi a respirar direito, a diminuir o ritmo... mas passei longe, muuuito longe de conseguir atingir o estágio "zen", o tal "pranaiama" dos iogues, que é conseguir meditar com a mente livre de pensamentos. Ok, confesso que não insisti muito no ioga... talvez se tivesse praticado por mais tempo tivesse outros resultados... ou não! O fato é que percebi que esse não era o caminho, não para mim.
Inclusive, acho que isso é muito importante, pelo menos a princípio: saber o que NÃO funciona pra você, que pode até funcionar para os outros, mas não pra você. Assim você vai eliminando possibilidades e pode seguir em frente. Meu próximo passo foi começar a escrever uma espécie de "diário". Imaginei que escrevendo eu poderia transferir os pensamentos para o papel e tirá-los de dentro de mim. Pareceu um método eficaz no começo... tipo nos primeiros cinco minutos rsrsrs, ou seja, também não foi funcionou. É muito pensamento, nem que derrubassem todas as árvores do mundo pra produzir papel haveria papel suficiente para transferir tudo da cachola pro caderno. Difícil... O pior é que, nessas tentativas, o tempo ía passando... e o transtorno de ansiedade continuando presente, a ponto de parecer que iria me matar. Sem exageros.
Bom, nessa minha busca, também tentei ler romances, histórias de ficção... literatura daquele tipo que me ajudasse a sair da realidade, "viajar" para um outro mundo, um mundo que não existisse... muito legal porque eu adoro ler (assim como adoro escrever), mas isso não levou embora meus milhares de pensamentos. Tive, ainda, a fase de mergulhar no trabalho, me entupir de compromisso de forma que não sobrasse tempo para pensar em outra coisa... sem chance de dar certo, para um ansioso sempre há tempo pra pensamentos fóbicos, compulsivos, desesperados. Aliás, se sobrecarregar de trabalho é o que eu menos indico. Algo que funcionava por um tempinho maior era colocar os DVDs do seriado americano "Friends", tenho o box com as dez temporadas e já assisti todas, mas para parar de pensar eu colocava um DVD com seis episódios e livrava minha mente durante uma duas a três horas... mas é claro que era só apertar o stop para voltar tudo como no início.
Era um sábado a noite quando eu estava em casa com o coração na boca de tanta ansiedade. Garganta "fechada" no melhor estilo em que a angústia costuma se manifestar. Meu marido procurava um filme para assistirmos na TV a cabo, afinal, esse tinha passado a ser nosso único programa de fim de semana, cheguei num nível em que não queria sair de casa. Enquanto ele ía mudando de canal, eu com o IPad na mão comecei a digitar no Google as palavras "ansiedade"... "pânico"... "fobia". Queria encontrar blogs de gente que sentisse o mesmo que eu. Achei muitos de pânico (que sei que não é meu caso), mas de transtorno de ansiedade generalizada não achei nada de pacientes com o problema... pelo menos nada de útil. Decidi então entrar no blog de um psicólogo, o Artur Scarpato, que já citei aqui. Foi lá que, enfim, encontrei algo que foi o primeiro passo pra eu tentar aprender a "parar de pensar".
Estava na segunda postagem do blog psicoterapia.psc.br, o trecho principal dizia o seguinte: "Precisamos de práticas diárias, o método que realmente funciona para mudanças desta natureza, técnicas praticadas com constância. Precisamos criar presença, trabalhando a mudança do eu centrado no pensamento (eu que pensa) para o eu centrado na experiência (eu que observa)".
O curioso é que já tinha ouvido isso no ioga, essa questão de estar presente mas sem pensar, apenas como observador... a diferença é que, escrito no contexto do blog, me fez analisar de outra forma. Principalmente por causa de outros trechos, de outras postagens, como essa a seguir:
"Caso a pessoa conseguisse mergulhar em seu momento presente, a ansiedade tenderia a diminuir dramaticamente, ou mesmo se dissolver. Um primeiro modo de se fazer presente é se observar, se perceber, mesmo estando mentalmente preocupado com o futuro. Então, feche os olhos e observe seus pensamentos. Dedique alguns minutos a isto. Desenvolver o “eu que observa”. Apenas observe e comece a aprender sobre você e seu funcionamento mental. Comece a perceber como há automatismos de pensamento que dominam sua mente e levam você a se sentir cada mais ansioso. Durante o exercício não tenha pressa e não espere nenhum resultado imediato. A pressa é um sinal de quem está voltado mentalmente para o futuro e seu objetivo agora é enraizar sua presença no agora, numa atitude de espectador e de não identificação com os pensamentos. Não se preocupe de tentar parar ou mudar os pensamentos, mas reconhecer estes automatismos que eternizam sua ansiedade. A meta agora é de reconhecimento/aceitação e não de controle. Você vai começar a perceber que o perigo não está no aqui e agora, mas é cultivado através destes pensamentos negativos e catastróficos. Quando você sai da identificação com o “eu que pensa” e passa a centrar sua consciência no “eu que observa””, você começa a enfraquecer estes padrões automáticos de pensamento, retira parte de sua energia e começa a criar uma nova experiência interna. Este é um primeiro passo".
Foi assim que comecei a mudar meus pensamentos. Descobri que mais do que "parar de pensar", eu tinha sim é que mudar a FORMA de pensar, pensando só no hoje, no presente e, mais do que isso, me "sentir" presente... perceber meu corpo e minha mente AGORA e nada mais. Passei a fechar os olhos e perceber: "sim, estou com a garganta fechada de angústia, mas estou no conforto da minha casa, com o meu cobertor e só isso que importa agora". Parei de pensar em tudo que não fosse esse exato segundo. Parei de fazer planos. Foi triste porque sempre gostei de planejar, me transportar para aquele futuro que estava imaginando... mas isso não podia mais fazer parte dos meus pensamentos porque isso é uma forma de querer controlar o que está por vir.
Então, naquela noite de sábado, pedi que meu marido assistisse ao filme sozinho... e mergulhei de cabeça naquele blog! Comecei a fazer os exercícios de "eu observador" proposto por ele. Foi o começo do caminho que ainda estou percorrendo para deixar a mente focada apenas no hoje. No agora. Nesse exato momento e nada mais. Para assim tentar manter meus pensamentos e minha ansiedade em níveis que me permitam continuar vivendo.
Desculpem pelo post gigante, mas é que essa busca pela arte de administrar os próprios pensamentos é essencial para quem sofre com a TAG. É essencial para mim!
Um abraço e até breve!
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Penso, logo... sou ansiosa!
Sou geminiana, o signo dos pensadores... dos intelectuais... dos idealistas! Os geminianos pensam demais! O tempo todo! Sem parar! E eu sou uma geminiana nata! Sempre achei o máximo viver cheia de idéias... formular pensamentos, hipóteses, analisar tudo que me viesse a mente... e sonhar! Planejar! Pensar, pensar e pensar! Isso até eu descobrir que esse é um dos "venenos" do transtorno de ansiedade generalizada.
Foi difícil para que eu enxergasse isso... até porque que mal poderia haver em pensar???? Onde está o perigo disso??? Depois de muito, MUITO tempo eu entendi o seguinte: o problema não é simplesmente pensar. A questão é que, quando se pensa MUITO, os pensamentos que surgem são dos mais variados. Bons, ruins, lindos, horríveis, reais, absurdos, possíveis- improváveis, otimistas, catastróficos... e essa enxurrada de idéias pode ser absorvida de muitas formas pela nossa mente. Se a pessoa já tem uma característica de ser ansiosa... se tem um traço de depressão (seja genético, seja provocado por algum acontecimento)... se tem a emoção a flor da pele... acaba deixando que, entre tantos pensamentos, os ruins prevaleçam.
Parece ridículo, não é? Eu acho! Nunca me considerei pessimista, mas depois que li a respeito dos pensamentos relacionados ao TAG, passei a prestar atenção naquilo que povoava minha mente. Foi aí que me dei conta de que - sim - eu pensava muita besteira. Quando eu digo "besteira" quero dizer exatamente isso que essa palavra significa: algo ridículo, sem importância. Exemplo: percebi que, no trânsito, ao ultrapassar um carro, eu logo pensava - "nossa, imagina se está vindo uma moto e eu não vejo?". Ou "já pensou se o caminhão que vem atrás também resolve ultrapassar, bate no meu carro e eu sou jogada barranco abaixo?". Tipo, ridículo pensar isso. Desnecessário. Mas é o tipo de pensamento que percebi que era recorrente no meu dia a dia e eu nunca tinha percebido por considerar isso tudo uma besteira.
Mais uma vez vou citar, aqui, um trecho do blog do psicólogo Artur Scarpato, que me ajudou a enxergar esses pensamentos ansiosos e a descobrir que eles existem. "A pessoa ansiosa vive tomada de preocupações, expectativas sobre algum perigo que ronda, algo que possa dar errado, que ela possa passar mal… Sua mente é produtora de pensamentos e imagens em série que antecipam perigos e criam cenários catastróficos. A pessoa vive voltada para o futuro, interpretando os dados atuais como indicadores potenciais de que algo possa dar errado, sair do controle, iniciar algum processo caótico. Em sua mente começa a se projetar um filme com cenários catastróficos. Longe do momento presente e atenta a este filminho, a pessoa “sofre por antecipação”. Ela ainda não entrou no avião mas já sofre com a idéia de que pode passar mal lá dentro e não tenha como sair. Estando ainda em casa a pessoa sofre ao se imaginar passando mal na frente dos colegas na reunião do escritório. Temendo ter uma crise de pânico a pessoa evita sair e expor-se. A projeção de cenários de perigo leva a um sofrimento antecipado e a comportamentos de evitação. (...) É comum que a pessoa exagere muito nesta expectativa imaginando que o resultado pode ser muito pior do que foi na última vez. É importante se diferenciar deste cineasta do terror que cria tantos filmes mentais com enredos e cenários assustadores, deixando o sujeito em estado de sobressalto e ansiedade freqüentes".
Bom, diagnosticado esse comportamento ridículo mas que - fazer o que? - existe em mim e em quem sofre com os transtornos de ansiedade, o que fazer? Bloquear os pensamentos??? Como??? Simplesmente não pensar mais??? De que forma??? É possível isso? Sim, é possível, apesar de ser um desafio do tamanho do mundo para a geminiana aqui... No próximo post vou escrever um pouco sobre como tento administrar essa mente louca que habita meu ser!!!
Um abraço.
Foi difícil para que eu enxergasse isso... até porque que mal poderia haver em pensar???? Onde está o perigo disso??? Depois de muito, MUITO tempo eu entendi o seguinte: o problema não é simplesmente pensar. A questão é que, quando se pensa MUITO, os pensamentos que surgem são dos mais variados. Bons, ruins, lindos, horríveis, reais, absurdos, possíveis- improváveis, otimistas, catastróficos... e essa enxurrada de idéias pode ser absorvida de muitas formas pela nossa mente. Se a pessoa já tem uma característica de ser ansiosa... se tem um traço de depressão (seja genético, seja provocado por algum acontecimento)... se tem a emoção a flor da pele... acaba deixando que, entre tantos pensamentos, os ruins prevaleçam.
Parece ridículo, não é? Eu acho! Nunca me considerei pessimista, mas depois que li a respeito dos pensamentos relacionados ao TAG, passei a prestar atenção naquilo que povoava minha mente. Foi aí que me dei conta de que - sim - eu pensava muita besteira. Quando eu digo "besteira" quero dizer exatamente isso que essa palavra significa: algo ridículo, sem importância. Exemplo: percebi que, no trânsito, ao ultrapassar um carro, eu logo pensava - "nossa, imagina se está vindo uma moto e eu não vejo?". Ou "já pensou se o caminhão que vem atrás também resolve ultrapassar, bate no meu carro e eu sou jogada barranco abaixo?". Tipo, ridículo pensar isso. Desnecessário. Mas é o tipo de pensamento que percebi que era recorrente no meu dia a dia e eu nunca tinha percebido por considerar isso tudo uma besteira.
Mais uma vez vou citar, aqui, um trecho do blog do psicólogo Artur Scarpato, que me ajudou a enxergar esses pensamentos ansiosos e a descobrir que eles existem. "A pessoa ansiosa vive tomada de preocupações, expectativas sobre algum perigo que ronda, algo que possa dar errado, que ela possa passar mal… Sua mente é produtora de pensamentos e imagens em série que antecipam perigos e criam cenários catastróficos. A pessoa vive voltada para o futuro, interpretando os dados atuais como indicadores potenciais de que algo possa dar errado, sair do controle, iniciar algum processo caótico. Em sua mente começa a se projetar um filme com cenários catastróficos. Longe do momento presente e atenta a este filminho, a pessoa “sofre por antecipação”. Ela ainda não entrou no avião mas já sofre com a idéia de que pode passar mal lá dentro e não tenha como sair. Estando ainda em casa a pessoa sofre ao se imaginar passando mal na frente dos colegas na reunião do escritório. Temendo ter uma crise de pânico a pessoa evita sair e expor-se. A projeção de cenários de perigo leva a um sofrimento antecipado e a comportamentos de evitação. (...) É comum que a pessoa exagere muito nesta expectativa imaginando que o resultado pode ser muito pior do que foi na última vez. É importante se diferenciar deste cineasta do terror que cria tantos filmes mentais com enredos e cenários assustadores, deixando o sujeito em estado de sobressalto e ansiedade freqüentes".
Bom, diagnosticado esse comportamento ridículo mas que - fazer o que? - existe em mim e em quem sofre com os transtornos de ansiedade, o que fazer? Bloquear os pensamentos??? Como??? Simplesmente não pensar mais??? De que forma??? É possível isso? Sim, é possível, apesar de ser um desafio do tamanho do mundo para a geminiana aqui... No próximo post vou escrever um pouco sobre como tento administrar essa mente louca que habita meu ser!!!
Um abraço.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Os ansiosos e o resto do mundo
Mais difícil do que entender o transtorno de ansiedade generalizada é tentar explicar esse problema a quem nunca sofreu com ele. É muito difícil. Eu diria que é impossível!
Quando tive os primeiros sintomas, como já contei aqui, as tonturas fizeram com que o diagnostico inicial fosse de labirintite. Ou seja, para os próprios médicos já é difícil explicar... imagine para o restante das pessoas! Quando você diz que não está bem, vem a fatídica pergunta: "mas o que você está sentindo"? A vontade é responder: "sentindo tudo e nada". O mal-estar é total, mas ao mesmo tempo a sensação é de estar "no vácuo", no "nada" mesmo.
Para mim, o pior foi antes do diagnóstico por EU não saber o que tinha. Já na hora de explicar PARA OS OUTROS essa fase era mais simples, era só falar: tenho tonturas horríveis. Pronto. Depois que descobri que as tonturas, as dores de cabeça, o coração acelerado eram um transtorno de ansiedade, a situação se inverteu. Ficou mais fácil para EU entender do que se tratava... mas por outro lado ficou mais difícil de explicar PARA OS OUTROS. Podia ser simples, mas todas as vezes que eu falava "eu tenho um transtorno de ansiedade", as pessoas diziam "ah, eu também sou muito ansiosa". Ou seja, ninguém entendia que há um abismo entre simplesmente ser ansioso e ter um transtorno de ansiedade.
Ainda assim, insisti durante um tempo nessa resposta, em dizer para quem me perguntava que meu problema era transtorno de ansiedade. Só que aí percebi que as pessoas achavam que isso era "frescura", não entendiam isso como uma doença. Por isso passei a responder que meu problema era psiquiátrico. Quem sabe assim ficava mais claro??? Ledo engano. Mal sabia eu que o preconceito com quem tem problema psiquiátrico é gigantesco, me olhavam como se eu fosse louca mesmo, como se eu tivesse "endoidado", como se eu estivesse com um parafuso a menos. Nunca esqueço de ouvir de uma colega de trabalho, durante minha segunda crise, a seguinte frase: "o que aconteceu, está de novo com as suas loucurinhas?". Eu sabia que não era nada disso... e continuava sem conseguir explicar o que eu sentia. Era como se estivesse sozinha no mundo, sem ninguém que compreendesse meu sofrimento. É a pior solidão que pode se pode ter.
A incompreensão ficou muito clara logo depois do diagnóstico... mas como em seguida consegui controlar os sintomas com medicamento e terapia, não durou muito o sofrimento de tentar explicar (em vão) o problema. A segunda crise foi pior nesse sentido porque eu já sabia o que era e sabia que não era "labirintite". Por isso comecei a buscar, à exaustão, uma forma de explicar o problema. Foi aí que comecei a ler sites, blogs e tudo mais que eu encontrava... ou melhor, não encontrava! Foi só depois de muita pesquisa que encontrei uma boa definição, que já dividi com vcs no meu primeiro post: a de que não há definição! Para quem nunca teve transtorno de ansiedade, é impossível explicar. "É como explicar uma dor de dente para quem nunca teve dor de dente", dizia o blog que já citei. Com a diferença de que, para resolver a dor de dente, vc trata, obtura, faz canal... e na última das possibilidades vc arranca o dente e põe uma prótese no lugar. Para transtorno de ansiedade não há cirurgia que resolva e isso é o que acaba com a pessoa na hora de tentar explicar o que sente... como trata... porque não se "cura" de uma vez.
O pior é que essa dificuldade em explicar o problema para as pessoas não acontece com todos os transtornos de ansiedade.... porque com a síndrome do pânico (um problema muitíssimo mais grave que o TAG) é mais simples se fazer entender porque são mais "concretos" os sintomas e aquilo que provoca esses sintomas... com o estresse pós-traumático tb é fácil fazer com que os outros entendam que foi uma situação específica que causou tudo... a fobia simples (medo de avião, de barata, de altura, de lugar fechado) também não exige muito das pessoas em compreender. Agora sobre o TAG... o que dizer???
Moral da história: se vc tem transtorno de ansiedade generalizado não se desgaste tentando explicar. É um desgaste desnecessário, não vai levar a nada. Eu, até hoje, só fiz questão de passar por esse desgaste para falar com o meu marido a respeito, afinal, é com quem eu mais convivo e quem mais vê de perto meu sofrimento. Não foi fácil, na verdade foi extremamente sofrível tanto pra mim quanto para ele... demorou, foi só durante a segunda crise que consegui me fazer entender razoavelmente para ele, mas eu precisava disso. De resto, só abro o coração mesmo com minha psicóloga e com quem eu sei que já teve esse problema. Infelizmente "o mundo" não está preparado para entender o transtorno de ansiedade generalizada.
Quando tive os primeiros sintomas, como já contei aqui, as tonturas fizeram com que o diagnostico inicial fosse de labirintite. Ou seja, para os próprios médicos já é difícil explicar... imagine para o restante das pessoas! Quando você diz que não está bem, vem a fatídica pergunta: "mas o que você está sentindo"? A vontade é responder: "sentindo tudo e nada". O mal-estar é total, mas ao mesmo tempo a sensação é de estar "no vácuo", no "nada" mesmo.
Para mim, o pior foi antes do diagnóstico por EU não saber o que tinha. Já na hora de explicar PARA OS OUTROS essa fase era mais simples, era só falar: tenho tonturas horríveis. Pronto. Depois que descobri que as tonturas, as dores de cabeça, o coração acelerado eram um transtorno de ansiedade, a situação se inverteu. Ficou mais fácil para EU entender do que se tratava... mas por outro lado ficou mais difícil de explicar PARA OS OUTROS. Podia ser simples, mas todas as vezes que eu falava "eu tenho um transtorno de ansiedade", as pessoas diziam "ah, eu também sou muito ansiosa". Ou seja, ninguém entendia que há um abismo entre simplesmente ser ansioso e ter um transtorno de ansiedade.
Ainda assim, insisti durante um tempo nessa resposta, em dizer para quem me perguntava que meu problema era transtorno de ansiedade. Só que aí percebi que as pessoas achavam que isso era "frescura", não entendiam isso como uma doença. Por isso passei a responder que meu problema era psiquiátrico. Quem sabe assim ficava mais claro??? Ledo engano. Mal sabia eu que o preconceito com quem tem problema psiquiátrico é gigantesco, me olhavam como se eu fosse louca mesmo, como se eu tivesse "endoidado", como se eu estivesse com um parafuso a menos. Nunca esqueço de ouvir de uma colega de trabalho, durante minha segunda crise, a seguinte frase: "o que aconteceu, está de novo com as suas loucurinhas?". Eu sabia que não era nada disso... e continuava sem conseguir explicar o que eu sentia. Era como se estivesse sozinha no mundo, sem ninguém que compreendesse meu sofrimento. É a pior solidão que pode se pode ter.
A incompreensão ficou muito clara logo depois do diagnóstico... mas como em seguida consegui controlar os sintomas com medicamento e terapia, não durou muito o sofrimento de tentar explicar (em vão) o problema. A segunda crise foi pior nesse sentido porque eu já sabia o que era e sabia que não era "labirintite". Por isso comecei a buscar, à exaustão, uma forma de explicar o problema. Foi aí que comecei a ler sites, blogs e tudo mais que eu encontrava... ou melhor, não encontrava! Foi só depois de muita pesquisa que encontrei uma boa definição, que já dividi com vcs no meu primeiro post: a de que não há definição! Para quem nunca teve transtorno de ansiedade, é impossível explicar. "É como explicar uma dor de dente para quem nunca teve dor de dente", dizia o blog que já citei. Com a diferença de que, para resolver a dor de dente, vc trata, obtura, faz canal... e na última das possibilidades vc arranca o dente e põe uma prótese no lugar. Para transtorno de ansiedade não há cirurgia que resolva e isso é o que acaba com a pessoa na hora de tentar explicar o que sente... como trata... porque não se "cura" de uma vez.
O pior é que essa dificuldade em explicar o problema para as pessoas não acontece com todos os transtornos de ansiedade.... porque com a síndrome do pânico (um problema muitíssimo mais grave que o TAG) é mais simples se fazer entender porque são mais "concretos" os sintomas e aquilo que provoca esses sintomas... com o estresse pós-traumático tb é fácil fazer com que os outros entendam que foi uma situação específica que causou tudo... a fobia simples (medo de avião, de barata, de altura, de lugar fechado) também não exige muito das pessoas em compreender. Agora sobre o TAG... o que dizer???
Moral da história: se vc tem transtorno de ansiedade generalizado não se desgaste tentando explicar. É um desgaste desnecessário, não vai levar a nada. Eu, até hoje, só fiz questão de passar por esse desgaste para falar com o meu marido a respeito, afinal, é com quem eu mais convivo e quem mais vê de perto meu sofrimento. Não foi fácil, na verdade foi extremamente sofrível tanto pra mim quanto para ele... demorou, foi só durante a segunda crise que consegui me fazer entender razoavelmente para ele, mas eu precisava disso. De resto, só abro o coração mesmo com minha psicóloga e com quem eu sei que já teve esse problema. Infelizmente "o mundo" não está preparado para entender o transtorno de ansiedade generalizada.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Mais de mim
Na postagem anterior falei sobre o começo de tudo... quisera eu que minha história com o transtorno de ansiedade generalizada se resumisse aquilo (o que já não seria pouco)! Infelizmente tem muito mais...
Depois que enfim comecei a tomar medicamento e fazer terapia regularmente, melhorei pouco a pouco, cada vez mais. Vez ou outra me sentia um pouco tonta ou com algum outro sintoma, mas nada que me tirasse totalmente do prumo. Tanto que voltei a ser "eu mesma" durante um bom tempo, depois de um ano comecei a diminuir a dosagem do remédio gradualmente (com acompanhamento médico), cheguei até a ter alta da terapia. Foi assim de fevereiro de 2010 a dezembro de 2011, praticamente dois anos bem.
No final de 2011 eu já estava tomando só metade do menor comprimido de Assert, dava apenas 25 miligramas por dia, uma dosagem super baixa e eu realmente me sentia bem. Viajei no fim de novembro daquele ano para Fernando de Noronha e, propositalmente, não levei o remédio. Queria ver como me sairia sem ele. Na verdade, por mim eu continuaria tomando porque não ligo para esse estigma sobre os remedios psiquiatricos. O que acontece é que desde o meio de 2011 eu havia decidido com o meu marido que tentaria engravidar e não gostaria de estar dependente de remédio psiquiátrico quando isso acontecesse, até porque isso é contra indicado pra saúde do bebê. Também no meio do ano descobri que esse processo de ter um filho não seria tão simples quanto eu imaginava. Descobri que tenho ovário policístico, parei de menstruar, não estava ovulando, então provavelmente teria que fazer algum tipo de fertilização para engravidar. Foi por isso que, do meio do ano em diante, decidi reduzir ao mínimo que conseguisse o remédio para tentar começar 2012 sem ele.
Consegui. Voltando de Fernando de Noronha eu estava super bem, então parei de vez de tomar o remédio. Estava tudo ótimo até o fim da primeira semana de janeiro, quando de repente, um dia, voltaram todos os sintomas. A pessoa que trabalha diretamente comigo estava de férias, eu estava fazendo o trabalho sozinha e acabei não conseguindo dar conta do recado (o que normalmente conseguiria sem problema algum, já havia feito aquilo milhões de vezes sozinha). Tive que chamar uma pessoa para me ajudar, exatamente como no começo da crise anterior.
Fiquei arrasada porque não queria voltar com o remédio, planejava fazer em março o tratamento para engravidar. Resisti o quanto pude, tentando levar só com a psicoterapia, mas eu não melhorava... voltei então com o Assert em fevereiro, tomei durante cerca de um mês e quando saí de férias decidi - de novo - não levar o medicamento para ver como eu me sairia. Fiquei bem, a viagem foi ótima e, voltando, também estava razoavelmente bem. Não estava 100%, mas dava pro gasto rsrsrs... O problema é que, conforme o mês foi passando, as tonturas foram voltando, ficando cada vez piores... e eu continuava sem querer tomar remédio por causa da vontade de engravidar. Na psicoterapia não conseguia identificar o que poderia ter feito com que aquele inferno voltasse...
No começo de maio comecei o tratamento de fertilização: injecções, ultrassonografias seriadas, indução de ovulação... é um processo que deixa qualquer um - com ou sem histórico de transtornos ansiosos - com a cabeça a milhão! Fiquei péssima! Acho que estava até pior do que na primeira crise, com a diferença que, desta vez, eu sabia que era uma doença e que doença era essa. O duro era saber exatamente qual remédio ajudaria e não querer tomar por causa da possível gravidez.
No ginecologista, relatei tudo o que se passava e ele me receitou fluoxetina. Disse que a sertralina eu não deveria tomar, apesar de não existirem estudos que comprovem que a substância faz mal pro feto, ele não poderia continuar o tratamento caso eu tomasse a sertralina. Mas essa questão de medicamentos x gravidez é assunto para uma postagem exclusiva... Enfim, sendo assim, comecei a tomar então a fluoxetina, o que foi em vão, não tive absolutamente nenhuma melhora.
Foi nesse meio tempo que tive a pior experiência da minha vida. Quem leu meu post anterior deve lembrar que eu li um livro sobre síndrome do pânico e vi que, apesar de alguns sintomas parecidos, eu não tinha essa doença, vi que meu caso naquela época não era tão grave quanto uma síndrome do pânico. Pois no meio do tratamento para engravidar, enquanto era medicada com fluoxetina, tive uma crise de pânico. Foi horrível. Foi sem dúvidas o pior dia da minha vida. Vou detalhar isso em outra postagem. Graças a Deus foi em um único dia que senti aquilo...
Bom, continuei com o tratamento para engravidar, sem tomar meu remédio (sertralina) e sofrendo horrores com as tonturas, palpitações, sensação de flutuação. Fiquei quatro dias de licença do trabalho. Quando voltei, fiquei uma semana sem exercer plenamente minhas funções, como da outra vez, só que com sintomas mais fortes. Digo mais fortes porque da outra vez eu não me sentia tão desanimada quanto desta vez. Tanto que em 2009 eu tive tonturas horríveis durante meses e ainda assim tinha disposição para correr atrás de médicos, exames e tratamentos que pudessem me ajudar. Desta vez me sentia esgotada. Não queria fazer nada, se pudesse não sairia da cama. Parei de ir à academia, pela primeira vez passei um aniversário sem comemorar, sem sair de casa. Meu estado era lamentável.
Nessa altura do campeonato, depois de gastar fortunas com o tratamento de fertilidade, estava mais é torcendo para ele não dar certo e eu poder voltar a tomar meu remédio. Olha a que ponto cheguei. Resultado: realmente o tratamento não funcionou, eu não engravidei. Voltei na psiquiatra e voltei com uma dose tão alta da sertralina que chegou a ser maior que da primeira crise.
Foi assim que, aos poucos, com remédio, terapia e muuuito foco comecei a melhorar aos poucos. Faz um mês que tudo isso aconteceu e sinceramente ainda não estou bem como gostaria, mas pelo menos voltei a trabalhar quase que normalmente, em todas as minhas atribuições, acreditando que posso voltar aos 100%.
Esse post e o post anterior são apenas um resumo bem enxuto na história. Os detalhes, os desdobramentos, meus sentimentos e descobertas eu conto nas próximas postagens.
Um abraço
Depois que enfim comecei a tomar medicamento e fazer terapia regularmente, melhorei pouco a pouco, cada vez mais. Vez ou outra me sentia um pouco tonta ou com algum outro sintoma, mas nada que me tirasse totalmente do prumo. Tanto que voltei a ser "eu mesma" durante um bom tempo, depois de um ano comecei a diminuir a dosagem do remédio gradualmente (com acompanhamento médico), cheguei até a ter alta da terapia. Foi assim de fevereiro de 2010 a dezembro de 2011, praticamente dois anos bem.
No final de 2011 eu já estava tomando só metade do menor comprimido de Assert, dava apenas 25 miligramas por dia, uma dosagem super baixa e eu realmente me sentia bem. Viajei no fim de novembro daquele ano para Fernando de Noronha e, propositalmente, não levei o remédio. Queria ver como me sairia sem ele. Na verdade, por mim eu continuaria tomando porque não ligo para esse estigma sobre os remedios psiquiatricos. O que acontece é que desde o meio de 2011 eu havia decidido com o meu marido que tentaria engravidar e não gostaria de estar dependente de remédio psiquiátrico quando isso acontecesse, até porque isso é contra indicado pra saúde do bebê. Também no meio do ano descobri que esse processo de ter um filho não seria tão simples quanto eu imaginava. Descobri que tenho ovário policístico, parei de menstruar, não estava ovulando, então provavelmente teria que fazer algum tipo de fertilização para engravidar. Foi por isso que, do meio do ano em diante, decidi reduzir ao mínimo que conseguisse o remédio para tentar começar 2012 sem ele.
Consegui. Voltando de Fernando de Noronha eu estava super bem, então parei de vez de tomar o remédio. Estava tudo ótimo até o fim da primeira semana de janeiro, quando de repente, um dia, voltaram todos os sintomas. A pessoa que trabalha diretamente comigo estava de férias, eu estava fazendo o trabalho sozinha e acabei não conseguindo dar conta do recado (o que normalmente conseguiria sem problema algum, já havia feito aquilo milhões de vezes sozinha). Tive que chamar uma pessoa para me ajudar, exatamente como no começo da crise anterior.
Fiquei arrasada porque não queria voltar com o remédio, planejava fazer em março o tratamento para engravidar. Resisti o quanto pude, tentando levar só com a psicoterapia, mas eu não melhorava... voltei então com o Assert em fevereiro, tomei durante cerca de um mês e quando saí de férias decidi - de novo - não levar o medicamento para ver como eu me sairia. Fiquei bem, a viagem foi ótima e, voltando, também estava razoavelmente bem. Não estava 100%, mas dava pro gasto rsrsrs... O problema é que, conforme o mês foi passando, as tonturas foram voltando, ficando cada vez piores... e eu continuava sem querer tomar remédio por causa da vontade de engravidar. Na psicoterapia não conseguia identificar o que poderia ter feito com que aquele inferno voltasse...
No começo de maio comecei o tratamento de fertilização: injecções, ultrassonografias seriadas, indução de ovulação... é um processo que deixa qualquer um - com ou sem histórico de transtornos ansiosos - com a cabeça a milhão! Fiquei péssima! Acho que estava até pior do que na primeira crise, com a diferença que, desta vez, eu sabia que era uma doença e que doença era essa. O duro era saber exatamente qual remédio ajudaria e não querer tomar por causa da possível gravidez.
No ginecologista, relatei tudo o que se passava e ele me receitou fluoxetina. Disse que a sertralina eu não deveria tomar, apesar de não existirem estudos que comprovem que a substância faz mal pro feto, ele não poderia continuar o tratamento caso eu tomasse a sertralina. Mas essa questão de medicamentos x gravidez é assunto para uma postagem exclusiva... Enfim, sendo assim, comecei a tomar então a fluoxetina, o que foi em vão, não tive absolutamente nenhuma melhora.
Foi nesse meio tempo que tive a pior experiência da minha vida. Quem leu meu post anterior deve lembrar que eu li um livro sobre síndrome do pânico e vi que, apesar de alguns sintomas parecidos, eu não tinha essa doença, vi que meu caso naquela época não era tão grave quanto uma síndrome do pânico. Pois no meio do tratamento para engravidar, enquanto era medicada com fluoxetina, tive uma crise de pânico. Foi horrível. Foi sem dúvidas o pior dia da minha vida. Vou detalhar isso em outra postagem. Graças a Deus foi em um único dia que senti aquilo...
Bom, continuei com o tratamento para engravidar, sem tomar meu remédio (sertralina) e sofrendo horrores com as tonturas, palpitações, sensação de flutuação. Fiquei quatro dias de licença do trabalho. Quando voltei, fiquei uma semana sem exercer plenamente minhas funções, como da outra vez, só que com sintomas mais fortes. Digo mais fortes porque da outra vez eu não me sentia tão desanimada quanto desta vez. Tanto que em 2009 eu tive tonturas horríveis durante meses e ainda assim tinha disposição para correr atrás de médicos, exames e tratamentos que pudessem me ajudar. Desta vez me sentia esgotada. Não queria fazer nada, se pudesse não sairia da cama. Parei de ir à academia, pela primeira vez passei um aniversário sem comemorar, sem sair de casa. Meu estado era lamentável.
Nessa altura do campeonato, depois de gastar fortunas com o tratamento de fertilidade, estava mais é torcendo para ele não dar certo e eu poder voltar a tomar meu remédio. Olha a que ponto cheguei. Resultado: realmente o tratamento não funcionou, eu não engravidei. Voltei na psiquiatra e voltei com uma dose tão alta da sertralina que chegou a ser maior que da primeira crise.
Foi assim que, aos poucos, com remédio, terapia e muuuito foco comecei a melhorar aos poucos. Faz um mês que tudo isso aconteceu e sinceramente ainda não estou bem como gostaria, mas pelo menos voltei a trabalhar quase que normalmente, em todas as minhas atribuições, acreditando que posso voltar aos 100%.
Esse post e o post anterior são apenas um resumo bem enxuto na história. Os detalhes, os desdobramentos, meus sentimentos e descobertas eu conto nas próximas postagens.
Um abraço
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Minha história
Demorei para, enfim, começar a contar tudo que venho vivendo porque é realmente difícil tentar explicar. Claro que muita coisa aconteceu na minha vida antes que eu tivesse os primeiros sintomas do transtorno de ansiedade, com certeza minha história de vida influenciou no desenvolvimento desse problema, mas antes do diagnóstico sempre me considerei uma pessoa "normal": estudei, me formei na faculdade que sempre sonhei em fazer, trabalho na área que escolhi, conquistei muita coisa profissionalmente, sempre tive muitos amigos, sempre saí, viajei, me diverti, namorei, casei com um homem maravilhoso, nos mudamos para uma boa casa... enfim, nenhum grande trauma, nenhuma grande perda, nada que pudesse imaginar que me trouxesse um problema psiquiátrico tão sério.
Digo isso tudo porque, lendo minha última postagem, que descreve os transtornos de ansiedade, a gente pode até pensar (como eu pensava) que só alguém muuuito desequilibrado para ter algo desse tipo... alguém com muitos problemas na vida. Eu não me considerava uma pessoa com esse perfil.
Era agosto de 2009 quando comecei a sentir umas "tonturas" estranhas. Tudo estava perfeito na minha vida, eu tinha acabado de ser promovida, estava trabalhando num projeto incrível que era minha cara, meu casamento estava em sua melhor fase. Por isso JAMAIS imaginei que aquelas tonturas podiam ter algum fundo psicológico, eu sentia como algo meramente físico!
Como além da tontura eu sentia um certo "zumbido" no ouvido, fui numa otorrinolaringologista e ela deu o diagnóstico: labirintite. Ok, comprei os remédios que ela me receitou certa de que isso logo passaria. Uma... duas semanas e nada de melhorar. Meu desempenho no trabalho estava sendo prejudicado, então resolvi procurar outra otorrino, vai que a primeira não tivesse acertado na medicação? Fui... mudamos o remédio... e nada de melhorar. Comecei então a passar com uma fisioterapeuta para "recuperar o equilíbrio" que a suposta labirintite havia afetado. Recomendada pela otorrino, essa fisioterapeuta me passava exercícios com bola... exercícios que incluíam caminhar de olhos fechados... lembrando me sinto uma ridícula pensando em tudo o que fiz, é claro, sem ter sucesso algum. Fiz também acupuntura e nada de melhorar.
Diante de tudo isso, fui submetida então um exame horrível em que colocam água no seu ouvido para saber se vc tem mesmo labirintite. Resultado: eu não tinha labirintite! Fiquei mais de um mês tomando remédios e tratando algo que eu não tinha! Descobrir isso foi ao mesmo tempo um alívio (pela esperança em descobrir o que eu tinha) e uma preocupação (o que eu tinha, afinal?). Parti então para consultas com neurologistas, fiz tomografia, exames de tudo quanto é tipo, nada era diagnosticado. Não sabia mais o que fazer, não conseguia mais trabalhar, nem me divertir, nem fazer mais nada. Tinha tonturas o tempo inteiro, dores de cabeça, insônia, angústia, taquicardia. O tempo todo, mas o pior era na hora de trabalhar, tinha a sensação de que iria desmaiar a qualquer momento.
Como clinicamente nada era diagnosticado, começaram a me encher a cabeça com coisas do tipo: "fizeram macumba pra você", "isso é olho gordo", etc, etc, etc. Fiz reiki, hipnose, regressão, tomei homeopatia, florais, fui a centro espírita tomar passe, fiz novena, fui em terreiro, fiz meditação, tomei chás de mil e uma coisas. Obviamente essa baboseira toda não surtiu resultado algum, só me fez gastar dinheiro e energia. Eu estava tão desesperada em não saber o que eu tinha que refiz algum exames na esperança de alguém encontrar um tumor... um vírus.... algo patológico que explicasse meus sintomas. Eu torcia para ter alguma doença, algo que explicasse aquilo tudo... mas nada era diagnosticado.
Foram cerca de cinco meses de agonia, até que um amigo da minha família, que é médico, recomendou que eu procurasse um psicólogo. Eu não tinha problema nenhum com isso, ao contrário de muita gente que tem preconceito, acha que terapia é coisa de doido ou acha que é besteira, eu sempre gostei muito de terapia. Fiz durante muito tempo por motivos diversos, mas principalmente por auto-conhecimento, sempre recomendei para todos porque traz muitos benefícios! Eu só havia parado porque tinha outras prioridades financeiras e terapia não é barato... Enfim, não tinha ido ainda na minha psicóloga nesse tempo todo em que sofri com as tonturas porque eu tinha certeza de que era algo físico... o que eu sentia era realmente como se fosse algo físico. Se tivesse alguma suspeita, mínima que fosse, de ser algo emocional, teria ido de cara na psicóloga! Até hoje não me conformo por nenhum médico não ter me falado antes que podia ser emocional!
Enfim, já era começo de 2010 quando fui na minha psicóloga de sempre e ela falou que tudo indicava se tratar de algum tipo de fobia... não me convenci disso de primeira porque eu achava que não tinha medo de nada, não enxergava motivo para ser fobia. A verdade é que eu não sabia na real o que uma fobia significava. Até que minha psicóloga me emprestou um livro chamado "Síndrome do Pânico", do autor Gugu Keller (Editora Globo). Ele conta a história de vida dele, dos primeiros sintomas ao longo caminho até o diagnóstico, da medicação e dos dramas que viveu por causa da doença... Li em um dia! Devorei o livro e me identifiquei demais com tudo que ele sentia e passava. Ainda assim, eu sabia que não tinha síndrome do pânico, afinal, eu saía de casa, dirigia, ficava sozinha sem problemas... enfim, achei o caso do autor com síndrome do pânico pior que o meu, mais grave! Parecido, mas pior que o meu caso! Ainda assim havia ficado nítido pra mim que eu tinha sim algum problema de ordem psicológica.
Sendo assim, não pensei duas vezes: fui numa psiquiatra. Meu Deus, como eu queria ter feito isso antes! Como eu queria saber antes que esse era meu problema! Relatei tudo à psiquiatra e ela me explicou que não, eu não tinha síndrome do pânico. Tinha um transtorno de ansiedade aliado à fobia. Ufa! Enfim um diagnóstico e um remédio. Ela me receitou Assert (sertralina, comecei com 50 mg, depois aumentou para 100 mg), Lexfast (um lexotan que age mais rápido só para tomar nos momentos em que estivesse muito ruim) e... psicoterapia.
As descobertas que fiz a partir desse dia eu conto em outras postagens (até porque é MUITA coisa). Agora, o que eu quero dizer é que o incrível aconteceu depois que comecei o tratamento para meu transtorno de ansiedade generalizado: em menos de uma semana eu tinha voltado a trabalhar normalmente, isso depois de três meses sem conseguir exercer tudo que fazia parte da minha função na empresa! Voltei a VIVER! Aos poucos, bem lentamente, fui voltando a ser eu mesma!
Foi esse então o começo de tudo e também o início da minha batalha contra o TAG. Em breve, mais da minha história.
Até a próxima!
Digo isso tudo porque, lendo minha última postagem, que descreve os transtornos de ansiedade, a gente pode até pensar (como eu pensava) que só alguém muuuito desequilibrado para ter algo desse tipo... alguém com muitos problemas na vida. Eu não me considerava uma pessoa com esse perfil.
Era agosto de 2009 quando comecei a sentir umas "tonturas" estranhas. Tudo estava perfeito na minha vida, eu tinha acabado de ser promovida, estava trabalhando num projeto incrível que era minha cara, meu casamento estava em sua melhor fase. Por isso JAMAIS imaginei que aquelas tonturas podiam ter algum fundo psicológico, eu sentia como algo meramente físico!
Como além da tontura eu sentia um certo "zumbido" no ouvido, fui numa otorrinolaringologista e ela deu o diagnóstico: labirintite. Ok, comprei os remédios que ela me receitou certa de que isso logo passaria. Uma... duas semanas e nada de melhorar. Meu desempenho no trabalho estava sendo prejudicado, então resolvi procurar outra otorrino, vai que a primeira não tivesse acertado na medicação? Fui... mudamos o remédio... e nada de melhorar. Comecei então a passar com uma fisioterapeuta para "recuperar o equilíbrio" que a suposta labirintite havia afetado. Recomendada pela otorrino, essa fisioterapeuta me passava exercícios com bola... exercícios que incluíam caminhar de olhos fechados... lembrando me sinto uma ridícula pensando em tudo o que fiz, é claro, sem ter sucesso algum. Fiz também acupuntura e nada de melhorar.
Diante de tudo isso, fui submetida então um exame horrível em que colocam água no seu ouvido para saber se vc tem mesmo labirintite. Resultado: eu não tinha labirintite! Fiquei mais de um mês tomando remédios e tratando algo que eu não tinha! Descobrir isso foi ao mesmo tempo um alívio (pela esperança em descobrir o que eu tinha) e uma preocupação (o que eu tinha, afinal?). Parti então para consultas com neurologistas, fiz tomografia, exames de tudo quanto é tipo, nada era diagnosticado. Não sabia mais o que fazer, não conseguia mais trabalhar, nem me divertir, nem fazer mais nada. Tinha tonturas o tempo inteiro, dores de cabeça, insônia, angústia, taquicardia. O tempo todo, mas o pior era na hora de trabalhar, tinha a sensação de que iria desmaiar a qualquer momento.
Como clinicamente nada era diagnosticado, começaram a me encher a cabeça com coisas do tipo: "fizeram macumba pra você", "isso é olho gordo", etc, etc, etc. Fiz reiki, hipnose, regressão, tomei homeopatia, florais, fui a centro espírita tomar passe, fiz novena, fui em terreiro, fiz meditação, tomei chás de mil e uma coisas. Obviamente essa baboseira toda não surtiu resultado algum, só me fez gastar dinheiro e energia. Eu estava tão desesperada em não saber o que eu tinha que refiz algum exames na esperança de alguém encontrar um tumor... um vírus.... algo patológico que explicasse meus sintomas. Eu torcia para ter alguma doença, algo que explicasse aquilo tudo... mas nada era diagnosticado.
Foram cerca de cinco meses de agonia, até que um amigo da minha família, que é médico, recomendou que eu procurasse um psicólogo. Eu não tinha problema nenhum com isso, ao contrário de muita gente que tem preconceito, acha que terapia é coisa de doido ou acha que é besteira, eu sempre gostei muito de terapia. Fiz durante muito tempo por motivos diversos, mas principalmente por auto-conhecimento, sempre recomendei para todos porque traz muitos benefícios! Eu só havia parado porque tinha outras prioridades financeiras e terapia não é barato... Enfim, não tinha ido ainda na minha psicóloga nesse tempo todo em que sofri com as tonturas porque eu tinha certeza de que era algo físico... o que eu sentia era realmente como se fosse algo físico. Se tivesse alguma suspeita, mínima que fosse, de ser algo emocional, teria ido de cara na psicóloga! Até hoje não me conformo por nenhum médico não ter me falado antes que podia ser emocional!
Enfim, já era começo de 2010 quando fui na minha psicóloga de sempre e ela falou que tudo indicava se tratar de algum tipo de fobia... não me convenci disso de primeira porque eu achava que não tinha medo de nada, não enxergava motivo para ser fobia. A verdade é que eu não sabia na real o que uma fobia significava. Até que minha psicóloga me emprestou um livro chamado "Síndrome do Pânico", do autor Gugu Keller (Editora Globo). Ele conta a história de vida dele, dos primeiros sintomas ao longo caminho até o diagnóstico, da medicação e dos dramas que viveu por causa da doença... Li em um dia! Devorei o livro e me identifiquei demais com tudo que ele sentia e passava. Ainda assim, eu sabia que não tinha síndrome do pânico, afinal, eu saía de casa, dirigia, ficava sozinha sem problemas... enfim, achei o caso do autor com síndrome do pânico pior que o meu, mais grave! Parecido, mas pior que o meu caso! Ainda assim havia ficado nítido pra mim que eu tinha sim algum problema de ordem psicológica.
Sendo assim, não pensei duas vezes: fui numa psiquiatra. Meu Deus, como eu queria ter feito isso antes! Como eu queria saber antes que esse era meu problema! Relatei tudo à psiquiatra e ela me explicou que não, eu não tinha síndrome do pânico. Tinha um transtorno de ansiedade aliado à fobia. Ufa! Enfim um diagnóstico e um remédio. Ela me receitou Assert (sertralina, comecei com 50 mg, depois aumentou para 100 mg), Lexfast (um lexotan que age mais rápido só para tomar nos momentos em que estivesse muito ruim) e... psicoterapia.
As descobertas que fiz a partir desse dia eu conto em outras postagens (até porque é MUITA coisa). Agora, o que eu quero dizer é que o incrível aconteceu depois que comecei o tratamento para meu transtorno de ansiedade generalizado: em menos de uma semana eu tinha voltado a trabalhar normalmente, isso depois de três meses sem conseguir exercer tudo que fazia parte da minha função na empresa! Voltei a VIVER! Aos poucos, bem lentamente, fui voltando a ser eu mesma!
Foi esse então o começo de tudo e também o início da minha batalha contra o TAG. Em breve, mais da minha história.
Até a próxima!
sexta-feira, 15 de junho de 2012
A ansiedade e seus transtornos
Antes de falar especificamente da minha história, acho importante falar dos transtornos de ansiedade de uma forma geral. Demorei muito para descobrir e, principalmente, entender o que são, de onde vêm, o que causam... Abaixo, as explicações são do site www.psicoterapia.psc.br, que inclusive eu recomendo porque tem textos muito bons e esclarecedores sobre o assunto:
Transtornos de Ansiedade
Todos os Transtornos de Ansiedade têm como manifestação principal um alto nível de ansiedade. Ansiedade é um estado emocional de apreensão, uma expectativa de que algo ruim aconteça, acompanhado por várias reações físicas e mentais desconfortáveis.
Os principais Transtornos de Ansiedade são:
- Fobia Simples: Medo irracional relacionada a um objeto ou situação específico. Na presença do estímulo fóbico a pessoa apresenta uma forte reação de ansiedade, podendo chegar a ter um ataque de pânico. Por exemplo a pessoa pode ter fobia de sangue, de animais, de altura, de elevador, de lugares fechados ou abertos, fobia de dirigir, etc. Há muitas formas possíveis de fobia, visto que o estímulo fóbico assume um lugar substituto para os reais motivos de ansiedade da pessoa. O motivo original vai ser descoberto na terapia.
- Fobia Social: Ansiedade intensa e persistente relacionada a uma situação social. Pode aparecer ligado a situações de desempenho em público ou em situações de interação social. A pessoa pode temer, por exemplo, que os outros percebam seu "nervosismo" pelo seu tremor, suor, rubor na face, alteração da voz, etc. Pode levar à evitação de situações sociais e um certo sofrimento antecipado. A pessoa pode também, por exemplo, evitar comer, beber ou escrever em público com medo de que percebam o tremor em suas mãos. Saiba mais.
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (esse é o que eu tenho): Estado de ansiedade e preocupação excessiva sobre diversas coisas da vida. Este estado aparece frequentemente e se acompanha de alguns dos seguintes sintomas: irritabilidade, dificuldade em concentrar-se, inquietação, fadiga e humor deprimido.
- Estresse Pós Traumático: Estado ansioso com expectativa recorrente de reviver uma experiência que tenha sido muito traumática. Por exemplo, depois de ter sido assaltado, ficar com medo de que ocorra de novo, ter medo de sair na rua, ter pesadelos, etc. Geralmente após um evento traumático a ansiedade diminui logo no primeiro mês sem maiores consequências. Porém, em alguns casos, os sintomas persistem por mais tempo ou reaparecem depois de um tempo, levando a um estado denominado como Estresse Pós Traumático.
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo: Estado em que se apresentam obsessões ou compulsões repetidamente, causando grande sofrimento à pessoa. Obsessões são pensamentos, idéias ou imagens que invadem a consciência da pessoa. Há vários exemplos como dúvidas que sempre retornam (se fechou o gás, se fechou a porta, etc.), fantasias de querer fazer algo que considera errado (machucar alguém, xingar, etc.), entre vários outros. As compulsões são atos repetitivos que tem como função tentar aliviar a ansiedade trazida pelas obsessões. Assim, a pessoa pode lavar a mão muitas vezes para tentar aliviar uma idéia recorrente de que está sujo, ou verificar muitas vezes se uma porta está fechada, fazer contas para afastar algum pensamento, arrumar as coisas, repetir atos, etc.
- Síndrome do Pânico: A Síndrome do Pânico é caracterizada pela ocorrência de freqüentes e inesperados ataques de pânico. Os ataques de pânico, ou crises, consistem em períodos de intensa ansiedade e são acompanhados de alguns sintomas específicos como taquicardia, perda do foco visual, dificuldade de respirar, sensação de irrealidade, etc. Saiba mais.
*********
Essas são as explicações médicas para os transtornos de ansiedade.... lendo assim, não parecem tão terríveis quanto são na verdade... Por isso, abaixo, alguns trechos do blog www.mentelouca.blogspot.com, onde encontrei aquilo que considero definições PERFEITAS para começar a tentar explicar o que sente quem tem esses transtornos, que quase sempre estão associados à depressão.
Uma depressão, um ataque de pânico ou uma crise de ansiedade somente podem ser compreendidos por quem já os vivenciou. Caso duvide disso, peça para alguém tentar lhe explicar como é uma dor de cabeça, como se você jamais tivesse tido uma. A sensação da dor mental é horrível. Você fica numa zona nebulosa entre a lucidez e a loucura. O fato de você não perder a consciência é duro, muito duro. A vontade de matar o pensamento vem à tona: eis a natureza do suicício. Sinceramente, o inferno não pode ser pior. De tão inexplicável e dolorido que são os sintomas, algumas pessoas constumam dizer: isso é desumano, não desejo nem ao meu maior inimigo. Medo da morte, medo de ficar louco e medo de perder o controle de si mesmo são sintomas comuns. Não há como explicá-los. É como dizer a quem nunca teve dor de dente, o que é uma dor dente.
Certa vez, ouvi o relato de uma mãe que tinha perdido um filho de 6 anos, de uma hora para outra. Ela não hesitou em dizer que nem tal evento foi mais dolorido do que sua depressão grave. O luto, por pior que seja, passa com o tempo, pode ser compreendido, amparado e consolado. A depressão grave não.
Durante um estado depressivo, os minutos demoram a passar, uma sensação de estranheza toma conta do seu ser, as outras pessoas parecem incrivelmente fortes, pensamentos suicidas passam por sua mente, atitudes antes simples passam a requerer um esforço desumano, a impotência e a culpa por sentir-se depressivo são imensas, a fadiga enorme, a mente fica confusa e inquieta. Dependendo da gravidade dos sintomas, temos a sensação de saber exatamente o que uma pessoa que morre sente antes de morrer, com apenas uma diferença: sentimos isso várias vezes.
***********
Não é fácil explicar, não é fácil entender. Nas próximas postagens vou enfim contar minha história, talvez fique mais claro aquilo que eu gostaria que as pessoas compreendessem...!
Até breve!
Transtornos de Ansiedade
Todos os Transtornos de Ansiedade têm como manifestação principal um alto nível de ansiedade. Ansiedade é um estado emocional de apreensão, uma expectativa de que algo ruim aconteça, acompanhado por várias reações físicas e mentais desconfortáveis.
Os principais Transtornos de Ansiedade são:
- Fobia Simples: Medo irracional relacionada a um objeto ou situação específico. Na presença do estímulo fóbico a pessoa apresenta uma forte reação de ansiedade, podendo chegar a ter um ataque de pânico. Por exemplo a pessoa pode ter fobia de sangue, de animais, de altura, de elevador, de lugares fechados ou abertos, fobia de dirigir, etc. Há muitas formas possíveis de fobia, visto que o estímulo fóbico assume um lugar substituto para os reais motivos de ansiedade da pessoa. O motivo original vai ser descoberto na terapia.
- Fobia Social: Ansiedade intensa e persistente relacionada a uma situação social. Pode aparecer ligado a situações de desempenho em público ou em situações de interação social. A pessoa pode temer, por exemplo, que os outros percebam seu "nervosismo" pelo seu tremor, suor, rubor na face, alteração da voz, etc. Pode levar à evitação de situações sociais e um certo sofrimento antecipado. A pessoa pode também, por exemplo, evitar comer, beber ou escrever em público com medo de que percebam o tremor em suas mãos. Saiba mais.
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (esse é o que eu tenho): Estado de ansiedade e preocupação excessiva sobre diversas coisas da vida. Este estado aparece frequentemente e se acompanha de alguns dos seguintes sintomas: irritabilidade, dificuldade em concentrar-se, inquietação, fadiga e humor deprimido.
- Estresse Pós Traumático: Estado ansioso com expectativa recorrente de reviver uma experiência que tenha sido muito traumática. Por exemplo, depois de ter sido assaltado, ficar com medo de que ocorra de novo, ter medo de sair na rua, ter pesadelos, etc. Geralmente após um evento traumático a ansiedade diminui logo no primeiro mês sem maiores consequências. Porém, em alguns casos, os sintomas persistem por mais tempo ou reaparecem depois de um tempo, levando a um estado denominado como Estresse Pós Traumático.
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo: Estado em que se apresentam obsessões ou compulsões repetidamente, causando grande sofrimento à pessoa. Obsessões são pensamentos, idéias ou imagens que invadem a consciência da pessoa. Há vários exemplos como dúvidas que sempre retornam (se fechou o gás, se fechou a porta, etc.), fantasias de querer fazer algo que considera errado (machucar alguém, xingar, etc.), entre vários outros. As compulsões são atos repetitivos que tem como função tentar aliviar a ansiedade trazida pelas obsessões. Assim, a pessoa pode lavar a mão muitas vezes para tentar aliviar uma idéia recorrente de que está sujo, ou verificar muitas vezes se uma porta está fechada, fazer contas para afastar algum pensamento, arrumar as coisas, repetir atos, etc.
- Síndrome do Pânico: A Síndrome do Pânico é caracterizada pela ocorrência de freqüentes e inesperados ataques de pânico. Os ataques de pânico, ou crises, consistem em períodos de intensa ansiedade e são acompanhados de alguns sintomas específicos como taquicardia, perda do foco visual, dificuldade de respirar, sensação de irrealidade, etc. Saiba mais.
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Essas são as explicações médicas para os transtornos de ansiedade.... lendo assim, não parecem tão terríveis quanto são na verdade... Por isso, abaixo, alguns trechos do blog www.mentelouca.blogspot.com, onde encontrei aquilo que considero definições PERFEITAS para começar a tentar explicar o que sente quem tem esses transtornos, que quase sempre estão associados à depressão.
Uma depressão, um ataque de pânico ou uma crise de ansiedade somente podem ser compreendidos por quem já os vivenciou. Caso duvide disso, peça para alguém tentar lhe explicar como é uma dor de cabeça, como se você jamais tivesse tido uma. A sensação da dor mental é horrível. Você fica numa zona nebulosa entre a lucidez e a loucura. O fato de você não perder a consciência é duro, muito duro. A vontade de matar o pensamento vem à tona: eis a natureza do suicício. Sinceramente, o inferno não pode ser pior. De tão inexplicável e dolorido que são os sintomas, algumas pessoas constumam dizer: isso é desumano, não desejo nem ao meu maior inimigo. Medo da morte, medo de ficar louco e medo de perder o controle de si mesmo são sintomas comuns. Não há como explicá-los. É como dizer a quem nunca teve dor de dente, o que é uma dor dente.
Certa vez, ouvi o relato de uma mãe que tinha perdido um filho de 6 anos, de uma hora para outra. Ela não hesitou em dizer que nem tal evento foi mais dolorido do que sua depressão grave. O luto, por pior que seja, passa com o tempo, pode ser compreendido, amparado e consolado. A depressão grave não.
Durante um estado depressivo, os minutos demoram a passar, uma sensação de estranheza toma conta do seu ser, as outras pessoas parecem incrivelmente fortes, pensamentos suicidas passam por sua mente, atitudes antes simples passam a requerer um esforço desumano, a impotência e a culpa por sentir-se depressivo são imensas, a fadiga enorme, a mente fica confusa e inquieta. Dependendo da gravidade dos sintomas, temos a sensação de saber exatamente o que uma pessoa que morre sente antes de morrer, com apenas uma diferença: sentimos isso várias vezes.
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Não é fácil explicar, não é fácil entender. Nas próximas postagens vou enfim contar minha história, talvez fique mais claro aquilo que eu gostaria que as pessoas compreendessem...!
Até breve!
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Começo de conversa...!
Olá!
Antes de tudo, é bom que eu me apresente... Tenho 31 anos, sou formada e trabalho na área da Comunicação Social, sou casada há cinco anos e moro em uma cidade da região metropolitana de São Paulo.
Nunca tive um blog, esse é o primeiro. Eu poderia criar um blog sobre viagem, afinal, adoro viajar, planejar roteiros e escrever relatos de viagens... eu poderia ter um blog sobre casamento, já que leio muito sobre vestidos de noiva, cerimônias e festas de casamento... também poderia montar um blog sobre minhas tentativas (até hoje frustradas!) de emagrecer... mas ao ser diagnosticada com transtorno de ansiedade, nada mais é tão importante quanto tentar amenizar ao máximo esse problema!
Pesquisando a respeito disso na internet, encontrei muitos sites e blogs de médicos e psicólogos que falam do assunto. Não é difícil encontrar especialistas que escrevem sobre esse e outros tipos de transtorno de ansiedade. Bem mais raros são os blogs ativos de pessoas que sofrem com isso e que compartilham aquilo que sentem. Foi por isso que, nessa minha busca por solução para esse meu problema, resolvi criar esse blog. Acho que isso vai me ajudar e pode ajudar outras pessoas que estejam passando pela mesma situação ou por algo parecido.
Vamos ver no que dá!
Até breve!
Antes de tudo, é bom que eu me apresente... Tenho 31 anos, sou formada e trabalho na área da Comunicação Social, sou casada há cinco anos e moro em uma cidade da região metropolitana de São Paulo.
Nunca tive um blog, esse é o primeiro. Eu poderia criar um blog sobre viagem, afinal, adoro viajar, planejar roteiros e escrever relatos de viagens... eu poderia ter um blog sobre casamento, já que leio muito sobre vestidos de noiva, cerimônias e festas de casamento... também poderia montar um blog sobre minhas tentativas (até hoje frustradas!) de emagrecer... mas ao ser diagnosticada com transtorno de ansiedade, nada mais é tão importante quanto tentar amenizar ao máximo esse problema!
Pesquisando a respeito disso na internet, encontrei muitos sites e blogs de médicos e psicólogos que falam do assunto. Não é difícil encontrar especialistas que escrevem sobre esse e outros tipos de transtorno de ansiedade. Bem mais raros são os blogs ativos de pessoas que sofrem com isso e que compartilham aquilo que sentem. Foi por isso que, nessa minha busca por solução para esse meu problema, resolvi criar esse blog. Acho que isso vai me ajudar e pode ajudar outras pessoas que estejam passando pela mesma situação ou por algo parecido.
Vamos ver no que dá!
Até breve!
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