Já contei aqui sobre o meu sonho de ser mãe. Qual mulher não tem esse sonho? É a ordem natural das coisas, é a seqüência da vida, faz parte do nosso instinto de continuidade... o que há de anormal nisso? Para o mundo, nada. Para uma ansiosa, tudo!
Nunca cogitei a possibilidade de passar por essa vida sem ter um filho, mas - como qualquer pessoa responsável - sempre tomei cuidado para evitar que isso acontecesse fora de hora. Comecei a tomar pílula aos 15 anos e, como sempre tive vida sexual ativa, quase não parei mais com os anticoncepcionais. Só quando completei 30 anos e já estava casada há quatro é que decidi que era a hora de parar. Isso foi em maio do ano passado, quando eu já sabia que sofria de transtorno de ansiedade generalizada, mas esse problema estava super controlado na época, há muito eu não sofria com as malditas crises, por isso resolvi parar com a pílula.
Jamais havia pensado que eu poderia ter algum problema para engravidar, afinal, sempre fiz acompanhamento com ginecologista pelo menos uma vez por ano. Os exames nunca mostraram nada fora do esperado. Quando parei de tomar pílula, voltei ao médico só mesmo por desencargo de consciência, só para avisar que havia parado. Ele pediu alguns exames e eis que, sem o efeito do anticoncepcional, foi possível perceber que eu tenho ovários micropolicísticos, um problema que é "maquiado" pela pílula, podendo não ser diagnosticado durante o uso do anticoncepcional. Sim, eu teria dificuldades para engravidar.
Agora imagine a situação: uma ansiosa de carteirinha sem saber se levaria um mês, um ano ou dez anos para conseguir algo que quer muito?!? Difícil. Quando recebi o diagnóstico e finalmente entendi o que o ovário policístico representaria na minha vida, tentei esquecer do assunto para não desencadear uma crise de ansiedade. Afinal, a partir daquele momento, eu teria duas situações para lidar: o desafio de parar de vez com a sertralina (já que o ginecologista avisou que não poderia tomar esse remédio na gravidez) e a necessidade de fazer tratamento para conseguir engravidar.
Como sempre planejei ser mãe depois que completasse cinco anos de casamento, deixei previsto para março do ano seguinte a procura por algum método de fertilização. Para isso, já fui me preparando, reduzindo ao máximo a dose do Assert, até interromper seu uso de vez. Quando janeiro chegou, veio também uma nova crise. Na época, não pensei que pudesse ser já um sofrimento antecipado pela ansiedade que representaria fazer uma fertilização. Hoje isso é muito claro para mim. A minha pior crise até hoje, entre os meses de abril e maio, também não me deixa dúvidas de que foi causada pela ansiedade do tratamento.
Não sei ao certo se já escrevi aqui o que minha psicóloga fala a respeito da minha personalidade "controladora". Ansiosos geralmente têm essa mania, de querer controlar tudo. Como isso é impossível, as crises de ansiedade acabam sendo inevitáveis. Na minha vida, com exceção do TAG, tudo aconteceu conforme planejei. Eu queria entrar no mercado de trabalho, na minha área, ainda durante a faculdade. Desdobrei-me num estágio não remunerado até conseguir uma vaga efetiva, logo durante o primeiro ano de curso. Depois de formada, fui para uma empresa onde comecei em um cargo que não era o que eu considerava ideal para mim. Batalhei até conseguir atingir honestamente a função que eu almejava. Sempre sonhei em casar de véu e grinalda, mas nem eu e nem meu então namorado tínhamos pai e mãe com grana pra bancar esse sonho, batalhamos pra juntar dinheiro e conseguimos não só fazer uma cerimônia com uma festa simples, porém linda, como também viajamos de lua-de-mel para o destino com o qual sonhávamos. Não tínhamos dinheiro pra comprar uma casa, mas também não queríamos ficar pagando aluguel... fomos atrás de um esquema de leilão da Caixa Econômica Federal e demos um lance num apartamento que sairia 1/4 daquilo que ele valia. Como o valor era baixo, conseguimos pagar a vista. Enfim, o que estou querendo dizer é que tudo aquilo eu planejei pra minha vida, mesmo com dificuldades, eu fiz acontecer porque eram coisas que dependiam de mim para virar realidade, nada saiu do meu "controle". Mas o que fazer com um problema de saúde que me impedia de engravidar naturalmente? Pronto, eu havia perdido o controle da situação e as crises voltaram... oscilando, mas voltaram.
Alguém pode dizer: "mas para problemas de fertilidade, existem os tratamentos". Era o que eu pensava, que era simples, que era algo que de alguma forma poderia manter meu plano de engravidar "sob controle"... isso até descobrir como esses tratamento funcionam. Para o meu caso, o médico decidiu começar pelo que é chamado de "coito programado". A mulher toma remédios para estimular o desenvolvimento dos folículos. São vários dias de injeções na barriga e é preciso fazer uma seqüência de ultrassons (tipo um dia sim, um dia não) para ver como os folículos se desenvolvem sendo que: 1- você precisa torcer para ter, no máximo, três folículos no tamanho considerado adequado, caso contrário o tratamento é interrompido pela possibilidade de uma gravidez múltipla de alto risco; 2- você precisa torcer para que esses folículos atinjam no mínimo 18 mm de circunferência, se forem menores que isso o tratamento é interrompido porque os folículos não chegam no ponto de ovulação; 3- se os folículos crescerem no tamanho e na quantidade ideais, você toma uma última injeção que é um indutor de ovulação, aí é preciso torcer para você realmente ovular; 4- ao tomar esse indutor de ovulação é preciso ter relação sexual oito horas depois e torcer para o espermatozóide encontrar o óvulo; 5- se todas as etapas anteriores derem certo é preciso, enfim, torcer para o embrião vingar.
Ou seja, NADA é possível de se controlar. Só depende da resposta do seu organismo, ou seja, não há o que fazer, a não ser esperar sem saber se vai dar certo. Detalhe: recomenda-se passar por tudo isso sem tomar remédios para controlar toda a ansiedade que esse tratamento representa. Dureza né... definitivamente Deus está me fazendo provar que meu desejo de ser mãe é maior do que tudo isso!
Em maio fiz o tratamento pela primeira vez. Na época, li muito a respeito na internet e encontrei muitas contradições a respeito do uso de sertralina durante a gestação. Na verdade não encontrei nada absurdamente conclusivo. Consultei minha psiquiatra, ela me explicou que em casos de gestação existem três "níveis" de medicamentos controlados: os de classe A, que a gestante não pode usar de jeito nenhum pelas consequências que podem trazer; os de classe B, que trouxeram prejuízos a parte das gestantes ou bebês que fizeram uso deles; os de classe C, que não se sabe se podem ou não trazer prejuízos a uma gestação. A sertralina está na classe C. Segundo a psiquiatra, não é recomendável mas eu também não precisava me descabelar caso engravidasse tomando a sertralina. Ela fez a seguinte comparação para me explicar isso: há algum tempo diziam que mulher grávida não podia viajar de avião, aí quem viajava sofria um aborto e ele era atribuído ao vôo, mas isso era impossível de ser comprovado, se realmente tinha sido a viagem de avião a responsável pela perda do bebê. Por precaução recomendava-se que a mulher não viajasse, mas nada podia ser confirmado, se uma coisa estava relacionada a outra. Com os medicamentos classe C é mais ou menos a mesma coisa. Sim, já aconteceu de mulheres que tomam esses remédios terem problemas, mas nunca se comprovou que esses problemas tenham sido causados pelos medicamentos.
Difícil explicar e entender tudo isso, não é... mas como eu estava com uma crise difícil de controlar, quando procurei o médico para começar o tratamento pela primeira vez eu estava sim tomando sertralina. Falei isso para o ginecologista e de cara ele me mandou interromper o medicamento, ele só permitiu o uso de fluoxetina durante o tratamento. Para mim, foi a mesma coisa do que estar tomando água... a fluoxetina simplesmente não aliviava em nada os sintomas do TAG. Entrei naquele esquema de injeções / ultrassons e - é claro - minha ansiedade foi a milhão. Foi sem dúvida minha pior crise de ansiedade. O tratamento não deu certo, os folículos nem chegaram perto do tamanho que deveriam chegar. Fiquei triste por um lado. Aliviada por outro. Poderia voltar com a sertralina para me ajudar a voltar à vida.
Em julho, quando parti para a segunda tentativa de fertilização eu estava super bem, sem remédio. Fiz o tratamento todo sem precisar tentar recorrer à fluoxetina e sem sofrer muito por causa disso. Cheguei até a etapa da ovulação, cheguei a ter um embrião, mas sofri um abordo espontâneo em seguida. Tanto o ginecologista quanto a psiquiatra garantiram que isso nada tinha a ver com o fato de eu ter tomado sertralina no mês anterior ao tratamento. Segui a vida em frente, eu teria que esperar três meses até fazer outra tentativa de fertilização... mesmo depois da notícia do aborto eu estava bem, sem precisar voltar a tomar remédios. Durante quase dois meses fiquei sem medicamentos. Agora, que está chegando outubro, o mês em que vou poder fazer outra fertilização, os sintomas do TAG voltaram e eu voltei com o remédio. Não vou parar com ele até o começo do novo tratamento, pelo meu bem.
Como eu disse, toda essa dificuldade em realizar o sonho de ser mãe parece - para mim - uma provação de Deus para testar se essa minha vontade é suficientemente grande a ponto de suportar tudo isso. Por enquanto, sim. Não pretendo desistir, apesar de todos os obstáculos que existem entre a ansiedade e a maternidade. Ainda não tenho uma opinião absolutamente formada sobre a interferência dos medicamentos para TAG nesse processo todo... só o que sei dizer é que, com ou sem remédios, vou seguir em frente. Se eu sobreviver a essa terceira tentativa de tratamento de fertilização já vou me considerar vitoriosa, ela resultando ou não em uma gravidez. Tenho medo de não dar certo de novo? Sim. Fico receosa de dar certo mas de novo eu sofrer um aborto? Sim. Sofro por nada estar sob controle nesse setor da minha vida? MUITO. O que fazer então? Simplesmente tentar não pensar em nada disso e encarar. Algo que pode parecer fácil para o mundo inteiro... mas que, para quem tem TAG, representa a tarefa mais difícil que poderia existir.
Um abraço!
Relatos de um transtorno de ansiedade generalizada. Blog criado para dividir as experiências, informações e desabafos de alguém que tenta aprender a conviver com o TAG.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Atenção ansiosos: sejamos "egoístas"!
Há tempos quero escrever sobre o assunto porque desde que comecei a "desvendar" o TAG percebi isso... entre outras coisas, a ansiedade é - nada mais nada menos - que o OPOSTO de "egoísmo". Hoje não tenho mais como adiar, preciso escrever sobre isso porque tive mais uma comprovação dessa minha tese: pensar demais nos outros gera ansiedade.
Explico: na manhã desta segunda-feira fui acordada por uma ligação da minha depiladora, com que mantenho contato apenas como cliente e nada mais, me informando sobre a morte do filho dela. Ele havia matado a esposa e se suicidado em seguida. O telefonema foi porque eu trabalho em um meio de comunicação e ela temia pelas notícias que seriam veiculadas a respeito do caso na imprensa. No mesmo momento em que ela me relatou o ocorrido, eu tive exatamente todos os sintomas que o meu transtorno de ansiedade me causa: minha vista escureceu, tive tontura, sensação de desmaio, batimentos cardíacos acelerados. Tive que me deitar para recobrar os sentidos. Motivo: eu me abalo muito com tudo que acontece (ou pode acontecer) ao meu redor, com as pessoas com quem eu convivo.
Eu já sabia disso. Sempre me preocupei demais com tudo. Se minha mãe não está bem, com algum problema de saúde, fico preocupada, não páro de pensar nisso. Se meu irmão viaja fico pensando se ele vai chegar bem, se algo pode acontecer no caminho, se a estrada é perigosa. Recentemente soube que uma colega de trabalho muito próxima a mim seria demitida, fiquei com isso na cabeça sofrendo por ela, pela forma que essa notícia seria dada a ela, pensando como ficaria a vida dela com essa demissão... enfim, TUDO que envolve pessoas ligadas de alguma forma a mim sempre me preocupou muito, mesmo que eu não pudesse fazer nada a respeito.
Foi com a minha psicóloga, nas sessões de terapia, que me dei conta do quanto eu gastava energia pensando em pessoas e acontecimentos que não me diziam respeito. E o quanto isso gerava ansiedade. Lendo o blog ao qual eu sempre me refiro aqui (www.psicoterapia.psc.br) encontrei várias possibilidades para uma pessoa desenvolver o transtorno de ansiedade generalizada e uma delas é a seguinte: "ter sido criada por pais que apresentavam excessivo cuidado, com ansiedade e superproteção relacionados ao bem estar físico". Bingo. Fui criada exatamente assim.
Quando criança, minha mãe se desesperava a qualquer problema de saúde que eu viesse a ter. Qualquer demora além do normal para minha chegada em casa, na adolescência, era motivo de desespero. Se ela fica sabendo que, por algum motivo não fui trabalhar, já vem até a minha casa ver o que me aconteceu. É e sempre foi assim. Minha mãe é muito desesperada nesse sentido e, como fui filha única durante dez anos até que meu irmão nascesse, fui muito sobrecarregada de cuidados excessivos. Infelizmente, "peguei" isso da minha mãe.
Já escrevi aqui sobre o pensamento. Sobre o fato de "pensar demais" ser o veneno do ansioso. Realmente é, mas existe algo pior do que pensar demais, que é pensar demais NOS OUTROS. Porque se vc pensa muito, sem parar, mas exclusivamente em você mesmo, nas coisas que te dizem respeito, é mais simples administrar, afinal, tudo depende de você, os sentimentos e as ações são suas. Já se preocupar muito com os outros é angustiante porque definitivamente não há o que se possa fazer na maioria das vezes. Daí vem - de novo - aquela difícil tarefa de "parar de pensar". Nesse caso, parar de pensar nos outros. Ou seja, exercitar o "egoísmo".
Desde crianças aprendemos que temos que ajudar o próximo, que não podemos pensar apenas em nós mesmos, que devemos ser solidários, etc, etc, etc... sempre aprendi isso e sempre prezei muito por isso. Não, não é que esses ensinamentos estejam errados. A realidade é que isso precisa ter uma medida. Medida essa que eu não soube dosar ao longo da minha vida e agora preciso aprender a fazer. Acho que já evoluí bastante nos últimos tempos... mas hoje, depois de ser acordada pelo telefonema da minha depiladora, percebi que ainda falta muito para eu ser a "egoísta" em que preciso me transformar.
Por hoje é só!
Explico: na manhã desta segunda-feira fui acordada por uma ligação da minha depiladora, com que mantenho contato apenas como cliente e nada mais, me informando sobre a morte do filho dela. Ele havia matado a esposa e se suicidado em seguida. O telefonema foi porque eu trabalho em um meio de comunicação e ela temia pelas notícias que seriam veiculadas a respeito do caso na imprensa. No mesmo momento em que ela me relatou o ocorrido, eu tive exatamente todos os sintomas que o meu transtorno de ansiedade me causa: minha vista escureceu, tive tontura, sensação de desmaio, batimentos cardíacos acelerados. Tive que me deitar para recobrar os sentidos. Motivo: eu me abalo muito com tudo que acontece (ou pode acontecer) ao meu redor, com as pessoas com quem eu convivo.
Eu já sabia disso. Sempre me preocupei demais com tudo. Se minha mãe não está bem, com algum problema de saúde, fico preocupada, não páro de pensar nisso. Se meu irmão viaja fico pensando se ele vai chegar bem, se algo pode acontecer no caminho, se a estrada é perigosa. Recentemente soube que uma colega de trabalho muito próxima a mim seria demitida, fiquei com isso na cabeça sofrendo por ela, pela forma que essa notícia seria dada a ela, pensando como ficaria a vida dela com essa demissão... enfim, TUDO que envolve pessoas ligadas de alguma forma a mim sempre me preocupou muito, mesmo que eu não pudesse fazer nada a respeito.
Foi com a minha psicóloga, nas sessões de terapia, que me dei conta do quanto eu gastava energia pensando em pessoas e acontecimentos que não me diziam respeito. E o quanto isso gerava ansiedade. Lendo o blog ao qual eu sempre me refiro aqui (www.psicoterapia.psc.br) encontrei várias possibilidades para uma pessoa desenvolver o transtorno de ansiedade generalizada e uma delas é a seguinte: "ter sido criada por pais que apresentavam excessivo cuidado, com ansiedade e superproteção relacionados ao bem estar físico". Bingo. Fui criada exatamente assim.
Quando criança, minha mãe se desesperava a qualquer problema de saúde que eu viesse a ter. Qualquer demora além do normal para minha chegada em casa, na adolescência, era motivo de desespero. Se ela fica sabendo que, por algum motivo não fui trabalhar, já vem até a minha casa ver o que me aconteceu. É e sempre foi assim. Minha mãe é muito desesperada nesse sentido e, como fui filha única durante dez anos até que meu irmão nascesse, fui muito sobrecarregada de cuidados excessivos. Infelizmente, "peguei" isso da minha mãe.
Já escrevi aqui sobre o pensamento. Sobre o fato de "pensar demais" ser o veneno do ansioso. Realmente é, mas existe algo pior do que pensar demais, que é pensar demais NOS OUTROS. Porque se vc pensa muito, sem parar, mas exclusivamente em você mesmo, nas coisas que te dizem respeito, é mais simples administrar, afinal, tudo depende de você, os sentimentos e as ações são suas. Já se preocupar muito com os outros é angustiante porque definitivamente não há o que se possa fazer na maioria das vezes. Daí vem - de novo - aquela difícil tarefa de "parar de pensar". Nesse caso, parar de pensar nos outros. Ou seja, exercitar o "egoísmo".
Desde crianças aprendemos que temos que ajudar o próximo, que não podemos pensar apenas em nós mesmos, que devemos ser solidários, etc, etc, etc... sempre aprendi isso e sempre prezei muito por isso. Não, não é que esses ensinamentos estejam errados. A realidade é que isso precisa ter uma medida. Medida essa que eu não soube dosar ao longo da minha vida e agora preciso aprender a fazer. Acho que já evoluí bastante nos últimos tempos... mas hoje, depois de ser acordada pelo telefonema da minha depiladora, percebi que ainda falta muito para eu ser a "egoísta" em que preciso me transformar.
Por hoje é só!
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Ai se eu te pego...!
Há um tempo não apareço por aqui, mas sigo naquela vida... tentando não deixar a ansiedade me pegar de jeito! Olha que ela tem tentado bastante viu... nesse exato momento ela está tentando, insistindo... mas agora que a conheço um pouco melhor, tento "pega-la" antes que ela me pegue!
Não é fácil viver assim, fugindo não se sabe do que... mas ando descobrindo que não ser "pego"pelo TAG é quase uma arte rsrsrsrs... Como é muito difícil saber de onde vêm e por que as crises vêm, é mais simples e eficiente não se questionar muito... e sim tentar afastá-las antes que cheguem e se instalem de vez. Só depois de mandar a ansiedade pra longe é que tento compreendê-la.... manter uma distância segura dela é uma das formas de não se deixar pegar.
Para falar dessa luta - ora com batalhas vencidas, ora com um embate mais árduo - deveria tratar de outros temas que estou "devendo"aqui... há muito sobre o que eu gostaria e deveria escrever... como ando meio que sem tempo, hoje deixo para relatar apenas meus últimos confrontos.
São pequenas coisas, eu sei: questões familiares... uma viagem de dez dias do marido para o exterior... uma situação de desconforto no trabalho com possibilidades de grandes mudanças que devem afetar pessoas muito próximas a mim. Tudo "administrável", nada grave. Não para minha razão.... mas quem disse que quem tem TAG consegue administrar todas essas pequenas coisas sem dar ouvidos às emoções (e são tantas emoções rsrsrs)?
Nas últimas vezes que as crises foram chegando perto, tive diferentes comportamentos... há cerca de três meses estava descontando na comida... claro que não funciona, mas é uma forma de compensação que - apesar de a minha psicóloga me lembrar sempre que não faz sentido - eu acho que consola. Então eu vinha fazendo isso, me permitindo tudo: se queria comer, comia; se queria faltar na academia, faltava; se queria me empenhar o mínimo no trabalho, me empenhava. Assim a vida seguiu sem a ansiedade me pegar mais uma vez. Depois, há cerca de um mês, controlei simplesmente fechando os olhos para os sintomas e esperando passar. Fui seguindo a vida sem me deixar pegar pelo TAG. Há umas duas semanas, mais uma nítida tentativa da ansiedade me pegar. Mais uma vez fechei os olhos e esperei passar. Achei que tinha passado. Mas eis que essa semana ela mostrou que chegou mesmo e está louca pra ficar e me pegar de vez!
Não quero ser pega, isso é fato. Não quero soluções paliativas, como as últimas que descrevi acima, porque se for assim sei que ela vai voltar. Estava há cerca de dois meses praticamente sem tomar remédios para ansiedade... não gostaria de voltar a tomar, mas gostaria menos ainda de voltar a ter as terríveis crises de TAG. Então hoje, bastante contrariada, voltei com a sertralina. Antes ela do que a crise. Antes a dependência do que a crise. Antes não poder engravidar por tomar remédios controlados do que a crise. Antes TUDO do que a crise.
Como já disse aqui no blog, não tenho preconceito com remédio psiquiátrico, não teria problema em tomá-lo para o resto da vida se eu não tivesse o sonho de ser mãe... então eu poderia continuar tentando fugir da crise de ansiedade sem a sertralina, mas hoje é muito claro para mim que ela acalma, tranquiliza e ajuda quem tem TAG a entrar nos eixos para assim poder colocar as idéias no lugar. Por isso resolvi voltar a tomá-lo para depois sim poder voltar a pensar em gravidez, para depois sim poder voltar a lidar com minhas questões pessoais que levam às crises. Sei que o remédio não cura a ansiedade fóbica. Ele apenas controla os sintomas para que, assim, EU possa mandar a crise pra bem longe. Porque só cada um tem o poder de fazer isso. Só EU tenho o poder de não me deixar pegar pelo TAG. O remédio só dá uma mãozinha para que eu tenha serenidade e consiga me manter longe da ansiedade para pegá-la.. antes que ela me pegue!
Até a próxima, espero que com boas notícias.
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