Relendo meus primeiros posts lembrei que fiquei devendo um texto sobre o dia em que tive a pior crise da minha vida. Foi uma única vez mas - sim - eu tive uma crise com sintomas de síndrome do pânico, o que é infinitamente pior do que qualquer outro transtorno de ansiedade.
Foi em maio deste ano, quando eu enfrentava todo aquele processo do tratamento para engravidar, estava sem tomar sertralina por causa disso e estava péssima! Nunca vou esquecer, era uma quarta-feira. Fui trabalhar já me sentindo muito mal, com todos os sintomas da TAG a milhão. Na hora do almoço pedi pra minha chefe me dispensar, vim pra casa e desabei na cama. Dormi e acordei com o despertador que eu havia programado para tocar às quatro da tarde, já que às cinco eu tinha terapia marcada com a minha psicóloga. Quando levantei da cama, a pior sensação do mundo: pânico.
Até então eu não sabia o que era isso. Havia lido bastante a respeito mas a sensação é algo absurdamente pior do que eu era capaz de compreender. Quando fui me levantar da cama, já senti um desespero, um medo inexplicável de colocar os pés no chão, fiquei um tempo sentada na cama, coração a mil, tudo rodando.... Andei devagarinho até o banheiro, cada passo era uma tortura. Cheguei na frente do espelho, lavei as mãos para colocar minhas lentes de contato e simplesmente não consegui abaixar a cabeça para levar meus olhos de encontro com as minhas mãos. Voltei à posição com a cabeça levantada e tentei de novo. Não consegui. Um medo desesperado e inexplicável de baixar a cabeça. Desisti, voltei correndo pra cama, onde agarrei o travesseiro, cobri a cabeça, nem abrir os olhos eu conseguia. Fiquei assim alguns minutos, tentando respirar, tentando me acalmar. Não conseguia.
Cogitei ligar para minha psicóloga falando que eu não iria na terapia, eu não conseguia nem sair da cama, como conseguiria dirigir até o consultório? Depois pensei que, no estado que eu estava, não podia perder a chance de uma sessão com a minha psicóloga.... Pensei então em ligar para minha mãe, para ela vir me buscar e me levar até a terapia. Descartei logo em seguida essa possibilidade primeiro porque faltava apenas meia-hora pra minha sessão, não era tempo suficiente para minha mãe sair de onde ela estava, chegar na minha casa e me levar ao consultório. Fora que não sei como explicaria para minha mãe que eu não conseguia nem sair da cama. Resolvi, então, tentar encarar.
Levantei de novo, fui de novo até o banheiro, em vez de baixar a cabeça trouxe meu dedo com a lente até os olhos, tudo isso tremendo, achando que eu ia morrer... desci as escadas do meu quarto até a sala mentalizando que eu era capaz de sair de casa, entrar no carro e dirigir. Eu estava andando curvada, corpo arqueado, não conseguia sequer olhar pra frente, nossa, que sensação horrorosa, a pior do mundo! Entrei no carro e fui bem devagarinho até ultrapassar a portaria do condomínio. Achei que estava indo bem, apesar da baixa velocidade (totalmente anormal para mim, já que dirijo feito louca, o mais rápido que puder). A situação voltou a piorar quando, saindo dos limites do condomínio, peguei a rodovia. Da minha casa para o centro da cidade tenho que pegar essa estrada. Achei que não fosse conseguir. Na alça de acesso me deu de novo o desespero, não conseguia seguir em frente. Parei no recuo, sem saber o que fazer. Um medo desesperador, mas não podia ficar com o carro parado ali. Segui, então, entrando na rodovia pelo acostamento, pisca alerta ligado, a vinte quilômetros por hora. Fui assim até o consultório. Só quando já estava lá é que consegui controlar um pouco a sensação de pânico.
Ufa. Horrível até de lembrar... nada no mundo foi pior do que essa sensação de morte iminente. Depois disso graças a Deus nunca mais tive isso e não quero nem sonhar em ter. Realmente é totalmente compreensível que quem sofre de síndrome do pânico não saia de casa, se esconda embaixo da cama, não queira ver ninguém... Se você, como eu, tem TAG, acredite: há algo pior que o transtorno de ansiedade generalizada. É a síndrome do pânico.
Até mais!
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