Demorei para, enfim, começar a contar tudo que venho vivendo porque é realmente difícil tentar explicar. Claro que muita coisa aconteceu na minha vida antes que eu tivesse os primeiros sintomas do transtorno de ansiedade, com certeza minha história de vida influenciou no desenvolvimento desse problema, mas antes do diagnóstico sempre me considerei uma pessoa "normal": estudei, me formei na faculdade que sempre sonhei em fazer, trabalho na área que escolhi, conquistei muita coisa profissionalmente, sempre tive muitos amigos, sempre saí, viajei, me diverti, namorei, casei com um homem maravilhoso, nos mudamos para uma boa casa... enfim, nenhum grande trauma, nenhuma grande perda, nada que pudesse imaginar que me trouxesse um problema psiquiátrico tão sério.
Digo isso tudo porque, lendo minha última postagem, que descreve os transtornos de ansiedade, a gente pode até pensar (como eu pensava) que só alguém muuuito desequilibrado para ter algo desse tipo... alguém com muitos problemas na vida. Eu não me considerava uma pessoa com esse perfil.
Era agosto de 2009 quando comecei a sentir umas "tonturas" estranhas. Tudo estava perfeito na minha vida, eu tinha acabado de ser promovida, estava trabalhando num projeto incrível que era minha cara, meu casamento estava em sua melhor fase. Por isso JAMAIS imaginei que aquelas tonturas podiam ter algum fundo psicológico, eu sentia como algo meramente físico!
Como além da tontura eu sentia um certo "zumbido" no ouvido, fui numa otorrinolaringologista e ela deu o diagnóstico: labirintite. Ok, comprei os remédios que ela me receitou certa de que isso logo passaria. Uma... duas semanas e nada de melhorar. Meu desempenho no trabalho estava sendo prejudicado, então resolvi procurar outra otorrino, vai que a primeira não tivesse acertado na medicação? Fui... mudamos o remédio... e nada de melhorar. Comecei então a passar com uma fisioterapeuta para "recuperar o equilíbrio" que a suposta labirintite havia afetado. Recomendada pela otorrino, essa fisioterapeuta me passava exercícios com bola... exercícios que incluíam caminhar de olhos fechados... lembrando me sinto uma ridícula pensando em tudo o que fiz, é claro, sem ter sucesso algum. Fiz também acupuntura e nada de melhorar.
Diante de tudo isso, fui submetida então um exame horrível em que colocam água no seu ouvido para saber se vc tem mesmo labirintite. Resultado: eu não tinha labirintite! Fiquei mais de um mês tomando remédios e tratando algo que eu não tinha! Descobrir isso foi ao mesmo tempo um alívio (pela esperança em descobrir o que eu tinha) e uma preocupação (o que eu tinha, afinal?). Parti então para consultas com neurologistas, fiz tomografia, exames de tudo quanto é tipo, nada era diagnosticado. Não sabia mais o que fazer, não conseguia mais trabalhar, nem me divertir, nem fazer mais nada. Tinha tonturas o tempo inteiro, dores de cabeça, insônia, angústia, taquicardia. O tempo todo, mas o pior era na hora de trabalhar, tinha a sensação de que iria desmaiar a qualquer momento.
Como clinicamente nada era diagnosticado, começaram a me encher a cabeça com coisas do tipo: "fizeram macumba pra você", "isso é olho gordo", etc, etc, etc. Fiz reiki, hipnose, regressão, tomei homeopatia, florais, fui a centro espírita tomar passe, fiz novena, fui em terreiro, fiz meditação, tomei chás de mil e uma coisas. Obviamente essa baboseira toda não surtiu resultado algum, só me fez gastar dinheiro e energia. Eu estava tão desesperada em não saber o que eu tinha que refiz algum exames na esperança de alguém encontrar um tumor... um vírus.... algo patológico que explicasse meus sintomas. Eu torcia para ter alguma doença, algo que explicasse aquilo tudo... mas nada era diagnosticado.
Foram cerca de cinco meses de agonia, até que um amigo da minha família, que é médico, recomendou que eu procurasse um psicólogo. Eu não tinha problema nenhum com isso, ao contrário de muita gente que tem preconceito, acha que terapia é coisa de doido ou acha que é besteira, eu sempre gostei muito de terapia. Fiz durante muito tempo por motivos diversos, mas principalmente por auto-conhecimento, sempre recomendei para todos porque traz muitos benefícios! Eu só havia parado porque tinha outras prioridades financeiras e terapia não é barato... Enfim, não tinha ido ainda na minha psicóloga nesse tempo todo em que sofri com as tonturas porque eu tinha certeza de que era algo físico... o que eu sentia era realmente como se fosse algo físico. Se tivesse alguma suspeita, mínima que fosse, de ser algo emocional, teria ido de cara na psicóloga! Até hoje não me conformo por nenhum médico não ter me falado antes que podia ser emocional!
Enfim, já era começo de 2010 quando fui na minha psicóloga de sempre e ela falou que tudo indicava se tratar de algum tipo de fobia... não me convenci disso de primeira porque eu achava que não tinha medo de nada, não enxergava motivo para ser fobia. A verdade é que eu não sabia na real o que uma fobia significava. Até que minha psicóloga me emprestou um livro chamado "Síndrome do Pânico", do autor Gugu Keller (Editora Globo). Ele conta a história de vida dele, dos primeiros sintomas ao longo caminho até o diagnóstico, da medicação e dos dramas que viveu por causa da doença... Li em um dia! Devorei o livro e me identifiquei demais com tudo que ele sentia e passava. Ainda assim, eu sabia que não tinha síndrome do pânico, afinal, eu saía de casa, dirigia, ficava sozinha sem problemas... enfim, achei o caso do autor com síndrome do pânico pior que o meu, mais grave! Parecido, mas pior que o meu caso! Ainda assim havia ficado nítido pra mim que eu tinha sim algum problema de ordem psicológica.
Sendo assim, não pensei duas vezes: fui numa psiquiatra. Meu Deus, como eu queria ter feito isso antes! Como eu queria saber antes que esse era meu problema! Relatei tudo à psiquiatra e ela me explicou que não, eu não tinha síndrome do pânico. Tinha um transtorno de ansiedade aliado à fobia. Ufa! Enfim um diagnóstico e um remédio. Ela me receitou Assert (sertralina, comecei com 50 mg, depois aumentou para 100 mg), Lexfast (um lexotan que age mais rápido só para tomar nos momentos em que estivesse muito ruim) e... psicoterapia.
As descobertas que fiz a partir desse dia eu conto em outras postagens (até porque é MUITA coisa). Agora, o que eu quero dizer é que o incrível aconteceu depois que comecei o tratamento para meu transtorno de ansiedade generalizado: em menos de uma semana eu tinha voltado a trabalhar normalmente, isso depois de três meses sem conseguir exercer tudo que fazia parte da minha função na empresa! Voltei a VIVER! Aos poucos, bem lentamente, fui voltando a ser eu mesma!
Foi esse então o começo de tudo e também o início da minha batalha contra o TAG. Em breve, mais da minha história.
Até a próxima!
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