segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Atenção ansiosos: sejamos "egoístas"!

Há tempos quero escrever sobre o assunto porque desde que comecei a "desvendar" o TAG percebi isso... entre outras coisas, a ansiedade é - nada mais nada menos - que o OPOSTO de "egoísmo".  Hoje não tenho mais como adiar, preciso escrever sobre isso porque tive mais uma comprovação dessa minha tese: pensar demais nos outros gera ansiedade.

Explico: na manhã desta segunda-feira fui acordada por uma ligação da minha depiladora, com que mantenho contato apenas como cliente e nada mais, me informando sobre a morte do filho dela. Ele havia matado a esposa e se suicidado em seguida. O telefonema foi porque eu trabalho em um meio de comunicação e ela temia pelas notícias que seriam veiculadas a respeito do caso na imprensa. No mesmo momento em que ela me relatou o ocorrido, eu tive exatamente todos os sintomas que o meu transtorno de ansiedade me causa: minha vista escureceu, tive tontura, sensação de desmaio, batimentos cardíacos acelerados. Tive que me deitar para recobrar os sentidos. Motivo: eu me abalo muito com tudo que acontece (ou pode acontecer) ao meu redor, com as pessoas com quem eu convivo.

Eu já sabia disso. Sempre me preocupei demais com tudo. Se minha mãe não está bem, com algum problema de saúde, fico preocupada, não páro de pensar nisso. Se meu irmão viaja fico pensando se ele vai chegar bem, se algo pode acontecer no caminho, se a estrada é perigosa. Recentemente soube que uma colega de trabalho muito próxima a mim seria demitida, fiquei com isso na cabeça sofrendo por ela, pela forma que essa notícia seria dada a ela, pensando como ficaria a vida dela com essa demissão... enfim, TUDO que envolve pessoas ligadas de alguma forma a mim sempre me preocupou muito, mesmo que eu não pudesse fazer nada a respeito.

Foi com a minha psicóloga, nas sessões de terapia, que me dei conta do quanto eu gastava energia pensando em pessoas e acontecimentos que não me diziam respeito. E o quanto isso gerava ansiedade. Lendo o blog ao qual eu sempre me refiro aqui (www.psicoterapia.psc.br) encontrei várias possibilidades para uma pessoa desenvolver o transtorno de ansiedade generalizada e uma delas é a seguinte: "ter sido criada por pais que apresentavam excessivo cuidado, com ansiedade e superproteção relacionados ao bem estar físico". Bingo. Fui criada exatamente assim.

Quando criança, minha mãe se desesperava a qualquer problema de saúde que eu viesse a ter. Qualquer demora além do normal para minha chegada em casa, na adolescência, era motivo de desespero. Se ela fica sabendo que, por algum motivo não fui trabalhar, já vem até a minha casa ver o que me aconteceu. É e sempre foi assim. Minha mãe é muito desesperada nesse sentido e, como fui filha única durante dez anos até que meu irmão nascesse, fui muito sobrecarregada de cuidados excessivos. Infelizmente, "peguei" isso da minha mãe.

Já escrevi aqui sobre o pensamento. Sobre o fato de "pensar demais" ser o veneno do ansioso. Realmente é, mas existe algo pior do que pensar demais, que é pensar demais NOS OUTROS. Porque se vc pensa muito, sem parar, mas exclusivamente em você mesmo, nas coisas que te dizem respeito, é mais simples administrar, afinal, tudo depende de você, os sentimentos e as ações são suas. Já se preocupar muito com os outros é angustiante porque definitivamente não há o que se possa fazer na maioria das vezes. Daí vem - de novo - aquela difícil tarefa de "parar de pensar". Nesse caso, parar de pensar nos outros. Ou seja, exercitar o "egoísmo".

Desde crianças aprendemos que temos que ajudar o próximo, que não podemos pensar apenas em nós mesmos, que devemos ser solidários, etc, etc, etc... sempre aprendi isso e sempre prezei muito por isso. Não, não é que esses ensinamentos estejam errados. A realidade é que isso precisa ter uma medida. Medida essa que eu não soube dosar ao longo da minha vida e agora preciso aprender a fazer. Acho que já evoluí bastante nos últimos tempos... mas hoje, depois de ser acordada pelo telefonema da minha depiladora, percebi que ainda falta muito para eu ser a "egoísta" em que preciso me transformar.

Por hoje é só!

Nenhum comentário:

Postar um comentário